07 agosto 2009

De mão em mão


Hoje o meu dentista chegou atrasado, isso me custou caro, já que na minha saída tive que pegar o busão em horário de pico.
Quando vi o ônibus se aproximando da parada, logo dei minha mão, gesto desnecessário, já que quase todas as pessoas deram a mão pra ele parar. Entrei como quem voa, levado pelos braços da massa. Lá dentro do ônibus me senti um vitorioso, tinha conseguido o melhor lugar em pé.
Mas uma experiência nesse dia me ensinou muito. Temos que aprender a captar nos menores gestos vestígios do Reino de Justiça. Pois bem, tentei fazer isso. Logo a frente uma mulher grávida deu a mão. O motorista para, abre a porta da frente, ela entra e senta, só que não pode ir até o cobrador e pagar a sua passagem. Realmente, como ela passaria em um lugar tão apertado como um ônibus lotado e em horário de pico. Daqueles tipos que a lei da impenetrabilidade é colocada em dúvida. Ah, se o Arquimedes tivesse comigo, eu provaria que dois corpos podem sim ocupar o mesmo lugar.
Então precisaríamos de uma solução para o impasse. Brilhantemente ela entrega o seu vale-transporte eletrônica para a segunda cadeira e pede que passe de mão em mão até chegar ao cobrador. No ônibus todos ríamos com a situação. Era engraçado aquele cartão passando de mão em mão para resolvermos aquele problema sem aparente solução.
Enquanto o cartão viajava de mão em mão pensei: é melhor serem dois do que um... Um cordão de três dobras não se quebra tão depressa (Ec 4,9-12). Fazer algo sozinho não tem graça, não tem amor, não se aprende a ter confiança. Somos livres quando aprendemos que outro é o nosso irmão, não o nosso opositor. Junto realizamos uma tarefa simples, mas fizemos juntos. O nosso mundo seria melhor, se aprendêssemos a trabalhar em conjunto, sem rivalidades, sem esse sentimento que para que eu vença o outro tem que perder. É necessário saber que a verdadeira vitória é quando eu venço e outro vence também.
Enfim, o impasse do ônibus foi resolvido e o cartão devolvido para a dona. Nós naquele ônibus apertado bem que merecíamos alguns aplausos pelo nosso grande feito em conjunto, simbolicamente, mostramos ao mundo que tudo feito em união sai melhor, mais alegre e simples.

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