07 setembro 2009

Duas Decisões Importantes




Reunimo-nos nessa sexta-feira para tomarmos decisões importantes. Essa geralmente é nossa rotina e dever como líderes da igreja, zelar pelo testemunho puro da comunidade e o cumprimento de sua “santa doutrina”. Eis as questões: tínhamos um terreno e um asilo pediu para utilizar, pois não existia um lugar que eles pudessem ocupar no momento. A outra questão era que, duas irmãs idôneas tinham visto uma moça da igreja sair de um motel.

Primeiro decidirmos sobre o nosso caso administrativo. Tínhamos duas opções: doar o terreno ou emprestá-lo. Aliás, terreno que em vinte anos nunca foi utilizado para nada. A primeira reação foi uma grande indignação porque não organizamos naquele lugar um ponto de pregação em todo esse tempo. Superada essa barreira, veio o que mais me surpreendeu. A minha opinião que doássemos o terreno e fizéssemos um projeto que pudesse ajudar essa instituição foi rebatida com outra opinião, defendida com unhas e dentes por alguns. A ideia deles era que emprestássemos o terreno por um período e que tivéssemos alguém da nossa igreja na diretoria desse asilo. Meu discurso foi tido como filosófico, bonito e utópico, algo fora da realidade.

A minha opinião, primeiramente baseava-se em uma questão de ética e responsabilidade: não podemos fazer algo que não sabemos fazer. Falo da questão da diretoria, o asilo tinha uma diretoria que estava fazendo seu trabalho corretamente, não posso simplesmente chegar e invadir seu espaço. Segundo, nossas igrejas têm algo que gostaria de classificar como “mania do poder”. Achamos que para servir temos que estar no controle de tudo. Nossos pastores e líderes já não acompanham o crescimento de suas ovelhas, ovelhas que como crianças deveriam ser nutridas pelo puro leite espiritual para cresceram, mas o que elas têm recebido as torna em eternas crianças que nunca crescem (I Pe. 2,9). Desejamos controlar todos que estão ao nosso lado, pois fora de nós não salvação e nem outra verdade. Nós somos a verdade!

Fui acusado de pregar um evangelho que não busca a salvação da alma do homem, mas que se resume a ação social, ou um marxismo, resumindo, uma teologia da libertação. Entretanto, o que eu gostaria era viver um evangelho não somente em palavras, mas procurar trazer sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em meu corpo (II Co 4,10). O meu Senhor Jesus deixou-me claro que o reino de Deus é dos pobres, daqueles que buscam a justiça (Mt 5,1-11, Lc 6,20). Que eu deveria anuncias as boas novas aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos, e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos. Aprendi com Ele que bem-aventurado é aquele que dar sem esperar nada em troca, é doar àqueles que não podem retribuir. (Lc 14,14).

Sobre a igreja faço minhas as palavras de Frederico Stein: “Não gosto do título de “sacerdote”, que lembra o culto do templo de Jerusalém e de todos os cultos das religiões pagãs da antiguidade. [...] Talvez seja melhor acabar com todo tipo de enfeite especial, tanto para homens quanto para mulheres a serviço das comunidades.” E sonho juntamente com José Luiz Cortés: “A igreja que eu quero não tem sinos: as pombas se encarregam de avisar o povo. [...] Claro que nesta igreja haverá também um papa! Mas um papa caseiro, com chinelos de lã, mais pai do que papa, mais santo do que o Santíssimo. E se ele se pode chamar José, ninguém deverá chamá-lo de ‘pio’ [...]. Minha igreja não se enfeita, nem anda com objetos de ouro; tem humor, conta piadas [...]. Eu sempre penso que, se tirarmos a roupa de qualquer pessoa, suas jóias e seus títulos, ficará muito pouquinho, mas bom e autêntico.”

Ah, quase esquecia. Temos o segundo caso, a jovem no motel. Não é muito importante, não se trata de um terreno nem de bens. A nossa decisão foi rápida. “Pastor, verifique se foi verdade e aplique o código disciplinar da igreja”.

3 comentários:

Mariana disse...

Régis, imagino sua indignação relembrando a triste experiência desta reunião ao escrever este artigo. Não sei se vc conheceu meu pai, Rev. Aparício, mas vcs se entenderiam muito bem se trabalhassem na mesma igreja. Seus pensamentos são mto parecidos com os dele. Quando puder, faça-nos uma visita! Tenha uma boa semana, amigo! Abraços!!!

Régis Pereira disse...

Verdade Mariana. Algumas decisões são muito anticristãs.
Esse eu tive em Bauru, Campinas e Maracaí. O ano que vem pode deixar que faço mesmo uma visita. rsrss

Adriano Sombra disse...

Vc é meu ídolo!!!
rsrsrs
Abços

www.adrianosombra.blogspot.com