31 março 2010

Partilhando da Vida Com Humildade


Henri Nouwen procurando uma palavra que pudesse definir todo o mistério do amor de Deus escolheu comunhão. Para ele, essa palavra contém a verdade que, em e através de Jesus, Deus quer não apenas nos ensinar, nos instruir ou nos inspirar, mas também se tornar um conosco. Toda a história do relacionamento de Deus com nós humanos é uma história de comunhão cada vez mais profunda.

Nesses momentos é preciso lembrar que nossa comunhão com Cristo exige que sejamos um só corpo. A oração de Jesus em João 17 deixa isso evidente: “Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos em unidade”. Estar unido a Jesus, é viver em comunhão com o seu semelhante. É aprender a partilhar o pão, a alegria, a tristeza, enfim, a vida.

Pensando em comunhão volto o meu olhar para a comunidade dos filipenses. A carta que o apóstolo escreveu para aqueles cristãos é conhecida como a carta da alegria, que também gosto de chamar de carta de gratidão. Essa comunidade fugiu do protocolo de como nasciam às comunidades cristãs do primeiro século. A sua formação se dá através de um grupo de mulheres, e tenho a impressão que a presença e a liderança delas a frente dessa comunidade suscitaram uma sensibilidade maior com relação às pessoas, e especialmente com o apóstolo Paulo.

O relacionamento de Paulo com essa comunidade nos deixa admirados e desejosos de desfrutarmos desse mesmo sentimento. Para Paulo, os filipenses estão em seu coração, são seus amados, queridos e saudosos irmãos. Em meio ao sofrimento Paulo não desistiu da luta, mas nem por isso se tornou uma pessoa ignorante, amargurada. Paradoxalmente, fez uma síntese entre ternura e luta. Continuava a amar a cada um dos filipenses, que retribuíam aquele amor com mais amor e cuidado. Ao ponto de enviarem um dos seus membros para cuidar de Paulo enquanto este se encontrava preso. Eles sabiam que não deveriam trabalhar sozinhos, e nem com murmurações ou críticas, mas permanecerem firmes no seu propósito de brilharem como estrelas em meio a uma gente corrupta e pecadora.

Certa vez li a seguinte frase: “a experiência comunitária nos ajuda a vivenciar a experiência única de reconciliação”. Essa experiência de reconciliação foi vivenciada pelos filipenses. Reconciliados por Deus, através de Jesus Cristo, aprenderam a ter os mesmos sentimentos e ações, e a resolverem os seus conflitos olhando através do olhar de Jesus. Por isso, foram capazes em meio ao sofrimento despertarem a solidariedade por aquele irmão que precisava de sua ajuda. Vivendo em comunidade aprenderam que não existe espaço para ilusões, as pessoas são pecadores e falhas, então se faz necessário ter em nós os mesmos sentimentos que haviam em Jesus.

Comecei esse texto citando o Nouwen, lembrando que a história do nosso relacionamento com Deus é a história de uma comunhão profunda. Comunhão encontrada em Paulo e os filipenses. Comunhão que é, sobretudo, um ato de reconciliação, Deus reconciliando-se comigo e eu reconciliando-me com cada um dos meus irmãos e irmãs. Sempre trazendo a memória que comunhão não pressupõe egoísmo, mas traz consigo humildade. A semelhança de um Deus que estando em sua glória resolveu viver a nossa vida para que pudéssemos viver a vida dele, que compreende que o maior ato de amor é dar vida por aqueles que Ele ama, mesmo que aqueles que Ele ama, ainda não o ame. Isso é comunhão, saber partilhar da vida com humildade.


Um comentário:

Junior disse...

iai Reginaldo,tudo bem cara? Parabens pelo Blog, ficou muito bom,depois comento com mais calma,xau!!