12 outubro 2010

Só Precisa Que Eu Tenha Fé


Ontem estive no hospital. Fui acompanhar um pequeno amigo que estava internado por causa de problemas nos rins. Cheguei ao hospital, conversamos um pouco, sorrimos bastante das coisas que estavam acontecendo ao nosso redor. Encontrei no quarto outras pessoas, crianças que também tinha problemas mais graves e uma mãe, que apesar de todo o sofrimento, conservava o sorriso e o brilho da esperança nos olhos.

Quando chegou o momento de dormirmos, escolhi uma cadeira que ficava entre duas camas. A minha esquerda ficou o meu pequeno amigo, ao meu lado direito uma menina, que tinha cerca de 10 anos. Olhei para ela e dei boa noite, então ela me respondeu: “boa noite, qual é o seu nome”? Eu disse: “Régis, e o seu”? – “Maria Luiza, mas pode me chamar de Luiza”. Então começamos a conversar, pois estávamos sem sono. Ela me contou um pouco de sua vida, que morava numa cidade distante, tinha dez anos, mas a sua mãe não estava no hospital, pois está grávida. Como alguém que tem autoridade sobre o assunto, falou-me sobre a sua rotina no hospital e fiquei surpreso, como uma criança de dez anos conhecia tanta coisa.

Ela disse que quando estava em casa ia para a igreja, gostava de cantar louvores, juntamente com suas três amigas, e por isso ensaiavam todos os sábados. De repente, no meio da conversa, disse: “Conta uma história para mim, para que eu possa dormir”. Fiquei um pouco sem graça, e respondi que era muito ruim contando histórias e não conseguia lembrar-se de nenhuma. Mas, ela insistiu: “Todos os dias eu escuto uma música de um homem chamado Zaqueu, você sabe a história”? Vendo que não tinha como escapar de contar a história, então comecei a falar sobre Zaqueu: Falei que ele fazia uma coisa muito feia, pegava as coisas que não eram dele, maltratava as pessoas, mas que um dia, ele ouviu falar que um tal de Jesus passava por sua cidade... como era bem baixinho, subiu em uma árvore... então Jesus o viu em cima da árvore e pediu que ele descesse, porque ele gostaria de ficar na casa dele. Na casa de Zaqueu, Jesus sentou a mesa, e Zaqueu ficou tão feliz que devolveu tudo o que tinha roubado as pessoas e tornou-se uma boa pessoa.

Então ela me interrompeu: “Os meus rins não funcionam mais”. Respondi: Vamos pedir a Deus para concertar. Ela sorriu pra mim e disse: “Acho que eu preciso participar da reunião dos 300 homens”. Onde fica isso? Perguntei. “Você não sabe”? Questionou: “Dizem que fica no centro da cidade”. Entendendo do que ela falava, preparei-me para respondê-la usando o meu conhecimento teológico e afirmei: Você não precisa participar dessa reunião... Antes mesmo que eu terminasse, ela falou:

Eu sei que não preciso participar, na verdade se Deus quiser ele pode curar os meus rins, só precisa que eu tenha fé”. Fiquei espantado com a demonstração de fé dela, nenhuma resposta mais caberia, e uma lágrima começou a rolar dos meus olhos, mesmo sendo orientado a segurá-las quando elas quisessem rolar. Ela perguntou se eu chorava, respondi que não, apenas estava muito feliz ao ouvi-la. Pela manhã, não mais a encontrei, já tinha saído para cumprir a sua rotina diária no hospital. Para mim, ficou apenas a certeza que a fé nasce em meio ao sofrimento, e a razão para que os olhos daquela criança ainda brilhassem e ainda houvesse um sorriso em seus lábios, era saber que Deus poderia curá-la. Saí do hospital com a certeza de que: “da boca dos pequeninos e das crianças que ainda mamam, Deus suscita o perfeito louvor” (Mateus 21,16).

4 comentários:

mÔnica disse...

Não teria controlado as lágrima se tivesse no seu lugar.
Eh..nada me constrange mais do que ver a fé de uma criança.
EStava precisando disso hOje. Muito Obrigada Régis!

MARTHA THORMAN VON MADERS disse...

LINDO!!!!

Mariana disse...

Um texto melhor do que o outro... Mais uma vez, parabéns! Um dia lançaremos o SEU livro!

robinho disse...

Muito bom... gosto muito desses encontros, são sempre transformadores, obrigado por compartilhar esses momentos diante de Deus!