03 setembro 2010

O Perfeito Amor Lança Fora o Medo


Na última semana participei do lançamento do livro Meninos de Deus – Um olhar para o caminho. O livro foi criado como culminância de um projeto chamado Rota da Paz. Os jovens escritores carregavam consigo o estigma de serem infratores, mesmo que alguns nunca tenham cometido uma infração, e por isso não mereciam confiança, nem respeito. A idéia do livro era que a comunidade a partir daquele momento pudesse ver esses jovens com outro olhar, que transparecesse respeito e confiança.

Na hora da fala do idealizador do grupo, me perguntei o que leva uma pessoa a perder o medo da violência e enfrentar traficantes e gangues, para que assim outros jovens pudessem abandonar o caminho das drogas, assaltos e voltarem a serem respeitados em sua comunidade e famílias? Só uma resposta caberia. Tudo isso foi por amor. Um perfeito amor que não negou o medo da violência, mas soube superá-la e permitir que outros também conseguissem.

O autor de I João fala desse perfeito amor que supera os medos. Para ele, qualquer confissão na pessoa de Deus, deve está personalizado nas relações humanas. Quando ele diz “amem uns aos outros” (4,7), não está fazendo um pedido, mas dando um aviso: “se vocês realmente pertencem a Deus, o amor aos seus irmãos será a prova disso”. Nessas relações humanas, esse temor que representa o medo é deixado de lado, pois ele implica em castigo, amedrontamento, ameaça e intimidação. E onde predominam esses fatores, o amor é colocado em segundo plano. Se o amor está em segundo plano, a vida começa a perder o seu valor.

A lição que podemos tirar dessa história é que superaremos a violência quando deixarmos que o perfeito amor tome conta de nossas vidas. Quando nossas relações não forem mais regidas pela ameaça, orgulho ou qualquer outra forma de escravizar o homem e a mulher. É necessário aprendermos que a violência não está somente no outro, mas também está em mim, e precisa ser controlada pela força do amor. Jesus superou a violência contra ele amando: “Pai, perdoa esta gente! Eles não sabem o que estão fazendo” (Lucas 23,34). Talvez, esse fosse um indício de como deveríamos nos comportar diante dos medos que temos em nossos dias. Um indício que é necessário amar, e amando, permitir que o Reino de Deus esteja entre nós, para que seus meninos e meninas vivam felizes.