08 outubro 2010

Convertei-vos, Porque o Reino do Céu Está Próximo


Segundo Grudem conversão é: “a nossa resposta espontânea ao chamado do evangelho, pela qual sinceramente nos arrependemos dos nossos pecados e colocamos a confiança em Cristo para receber a salvação”. Ele continua dizendo que conversão é voltar-se do pecado, da qual chamamos de arrependimento e o voltar-se para Cristo, isso é o que chamamos de fé. Em suma podemos dizer que conversão tem haver com a fé e o arrependimento. É estarmos caminhando em direção a um lugar, mas em certo momento darmos uma volta, e caminharmos em direção oposta.

Essa é uma definição famosa sobre conversão. Nesses dias refletiam sobre o aviso cheio de vigor de João Batista: “Convertei-vos, porque o reino do céu está próximo”. Claramente uma afirmação utilizada por mim durante muitos anos para convencer todos aqueles que não eram cristãos, na minha mente isso significava “crente”, a aceitarem Jesus. Creio que eu não era o único a utilizar-se desse recurso. Entretanto, percebi que estava equivocado, muito mais do que um pedido de conversão, João Batista estava fazendo uma denúncia contra um povo que conhecia muito de Deus, mas que tinha suas atitudes marcadas pela injustiça.

Quem precisava realmente se converter eram os sacerdotes de sua época, todos aqueles que se utilizavam do nome de Deus para legitimar suas ações marcadas pela injustiça. Era necessário converter, porque conhecer de Deus não qualificava ninguém como participante do seu Reino. Thiago já dizia: “Crês tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios crêem e tremem”.

A conversão vem marcada por atitudes que demonstram que a minha fé é verdadeira. É produzir frutos do arrependimento, saber que não adiante falar de amor, de acolhimento, de comprometimento, de unidade, quando suas atitudes revelam brigas, intrigas, opressão e ausência do amor. Conversão é seguir a Jesus, o acompanhando de todo o coração e constantemente, compartilhando sua vida e destino ao custo de todas as alianças e compromissos, ligando-se a ele, engajando-se em sua obra, e assim, mostrando que estão qualificados para serem seus discípulos... nesse sentido essencial, é um dom de Deus, é o estar apto” (Karl Barth).

Diante disso, aprendo que para minha conversão ser verdadeira, é preciso que existam os frutos do arrependimento, e esses frutos nada mais são do que a minha fé, nascida do meu relacionamento com Deus, com o meu próximo e o com o meu distante. É minha fé tornando-se prática, quando ajudo a criar na terra seca um jardim, como Deus criou no Éden, quando eu visto a nudez como Deus vestiu Adão, quando visito o doente, como Deus visitou Abraão, quando conforto o triste, como Deus confortou Isaque, quando enterro o morto, como Deus enterrou Moisés.

Se a nossa fé não trouxer a justiça de Deus em nossos atos, não pertencemos ao Reino de Deus e então: “o machado já está posto, e árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo”.