26 janeiro 2011

O Encontro de Jesus com um Leproso (Marcos 1,40-45)


Um leproso em Jerusalém pede para ser limpo por Jesus. Estranhamente, apesar de sua doença ele não deseja ser curado. Ele é o protótipo da marginalização imposta pela lei judaica. Essa lei não permitia que um leproso vivesse na cidade, nem ao menos dirigisse a palavra aos sãos. Era considerado uma pessoa impura, e o responsável por legitimar sua impureza era o sacerdote.

Por isso, ele se aproxima de Jesus. O reconhece como sacerdote, como o mestre que tem curado muita gente. Mas, a sua questão não é apenas ser curado, mais do que ser curado, ele deseja ser declarado limpo. Porque sendo limpo, ele voltará a ser gente, sendo gente poderá conviver com outros(as): Andar sem que ninguém o olhe com desdém, perguntar algo a outra pessoa e ter resposta a sua pergunta, pedir a ajuda e ser ajudado, sorri e ser retribuído com outro sorriso.

Jesus, não preso as convenções da lei, acolhe aquele homem. Feri o princípio da lei que não permitia a conversa com um leproso. O declara limpo, mas era necessário algo mais. Era necessário o toque, o apalpar, o calor humano, que prova que existo e o outro também. Com um toque Jesus rompe todas as barreiras impostas pela lei, cria um novo ambiente de renovação de idéias que antes serviam apenas para confirmar a injustiça e a morte. Coloca novamente como centro da existência a vida, pois é ela que merece ser respeitada e colocada acima de qualquer coisa.

O homem agora limpo recebe um pedido de Jesus: “não conte a ninguém”. Mas a alegria de ter a sua dignidade reestabelecida, de novamente ser gente, contado como uma pessoa, é grande demais para ser guardada em segredo. Precisa ser divulgada, como boa nova de salvação, de uma salvação que vai muito além das palavras. É indescritível, mas vivencial, complexo, mas imbuído da simplicidade e singeleza.

2 comentários:

Rose Lira disse...

Pois é....é a mais pura verdade... nessa época pelo menos era só a lepra a maior causa da segregação...e hj o sacerdote segrega a partir de questões que envolvem seus interesses pessoais...affffffff

Régis Pereira disse...

Acho que sempre foi uma questão de interesses pessoais. A lepra era apenas um dos muitos casos de exclusão da sociedade da época. As coisas às vezes parecem não mudarem!