16 maio 2011

Tua Graça me Basta


De todas as decisões a serem tomadas, escolher pela mais fácil. De toda a fama que desejo, escolher a escada que tem menos degraus. As incertezas transformadas em certezas, as pedras retiradas do caminho, enfim uma caminhada sem muitas dificuldades. Talvez, seja esse o sentimento daquele primeiro discípulo que se propôs a seguir Jesus pelo caminho. Encantado pela facilidade com que Jesus atraía as pessoas e transformava impossibilidades em possibilidades reais.

A resposta de Jesus trouxe à tona a realidade. A decisão do discípulo o levaria a um caminho de dificuldades. As pedras ainda estariam lá, e em alguns momentos se faria necessário usá-las como travesseiro para recostar a cabeça ao relento. De todas as alegrias prometidas, apenas ficariam a certeza de seu cumprimento. As lágrimas rolariam, o medo buscaria nos dominar, a dor apertaria, mas... “tende bom ânimo”, eu venci tudo isso (João 16:33).

Na caminhada aprender a enterrar os nossos mortos, viver o seu luto e reerguer-se para continuar. Abandonar todas as mágoas e frustrações da vida. Não viver as expectativas que os outros têm sobre mim, jamais sonhar o sonho alheio. No anseio de agradar ao mundo, nos machucaremos, será sempre uma relação desigual e injusta. Nessa caminhada é necessário aprender a frustrar as expectativas que colocam sobre nós, e definitivamente perguntar-se qual a expectativa que Deus tem sobre mim?

Porque enfim começamos um trabalho, colocamos a mão no arado, limpamos o mato que tomou conta do campo, jogamos as primeiras sementes, e com o tempo as raízes se fixarão naquela terra, e virá a superfície o fruto do penoso trabalho. Olhar para trás nos impedirá de contemplar o futuro. Resta-nos a possibilidade de continuar a caminhar, passando pelo choro, pelos sonhos, erguendo a cabeça, vivendo, amando e sentindo os corações arderem, com uma presença tão divina e tão humana, que nos fará balbuciar: “a tua graça me basta”.

(Escrito baseado em Lucas9,57-62; Reflexão para amigos(as) especiais em seus momentos especiais)

2 comentários:

Juliana Lira disse...

Régis

Fico feliz que tenha gostado dos meus textos. E bem que gostaria que minha vida fosse traduzida em versos...

A caminhada é mesmo árdua. Não há caminho fácil que não acabe nos levando pro abismo, não é mesmo?
Eu já tratei a terra e plantei sementes, mas abandonei "o arado" há algum tempo.


"Nessa caminhada é necessário aprender a frustrar as expectativas que colocam sobre nós, e definitivamente perguntar-se qual a expectativa que Deus tem sobre mim?"

Tenho me perguntado isso constantemente.


Milhões de beijos

Régis Pereira disse...

Talvez o arado não tenha sido abandonado, esteja apenas esperando que o milagre da vida insista em acontecer!

Bjos