23 agosto 2011

Barnabé



Um personagem bíblico chamado Barnabé tem exercido nesses dias uma grande influência em minha vida. O seu nome já tem uma grande significado para mim: filho da consolação. Essa influência se dar porque tenho passado por um momento de mudanças, buscando encontrar novos rumos, idéias e projetos, mas também tentando de todas as maneiras simplificar meu estilo de vida. Mas deixamos de falar de mim, e vamos ao tal Barnabé (Atos 4,36-37).

Um grande talento desse homem é capacidade de influenciar grupos. Conhecemos Barnabé como um dos pastores de Antioquia, umas das principais cidades do Império Romano. Uma igreja que nasceu em meio à perseguição, mas com um senso de missão amplo, tendo em sua liderança homens de diferentes raças, algo inimaginável para a Igreja de Jerusalém que via salvação apenas para o seleto grupo de judeus (Atos 11,19-26). Diferentemente de qualquer apóstolo de Jerusalém, Barnabé vê a graça de Deus na nova comunidade que era tão heterogênea e se alegra com essa obra. Como pastor dessa igreja teve a capacidade de animá-los a conviverem com suas diferenças. Com suas diferenças compreenderam que o corpo é um só, mas tem muitos membros. Diferentes, mas batizados num só Espírito, entenderam que a missão de proclamar o evangelho era de todos eles para todos aqueles que ainda não conheciam ao Senhor Jesus. Entendendo essa missão Antioquia foi peça-chave no cumprimento da ordem de alcançar todos os confins da terra.

Outra característica na vida de Barnabé que me chama atenção é sua capacidade de entender que não precisamos fazer nada sozinhos. Quando chegou a Antioquia viu que tinha muito trabalho e precisaria de ajuda. Mas quem ele procurou? Paulo de Tarso. Paulo era conhecido como o perseguidor da igreja, quando se converteu poucos acreditaram nele. Exceto Barnabé, que tomou pela mão e o levou até os apóstolos dando-lhe um voto de confiança (Atos 9,26-27). Depois Paulo ficou esquecido em Tarso, até Barnabé encontrá-lo novamente. Ele viu em Paulo não as coisas ruins do seu passado, mas entendeu que ele tinha as características necessárias para ajudá-lo em Antioquia: conhecia a cultura grega e judaica como ninguém e também tinha sido chamado por Deus para ser apóstolo dos gentios. Outra coisa maravilhosa nesse episódio da vida de Barnabé é sua habilidade em encorajar aqueles que foram chamados por Deus.

Um terceiro episódio na vida de Barnabé é sua discussão com Paulo por causa de João de Marcos (Atos 15, 36-39). Primeiro, graças a Deus que até esses grandes homens discutem, isso não é só competência nossa. Mas Barnabé mais uma vez exerce seu ministério de encorajador, consolador, resolvendo ficar ao lado de Marcos e abandonar Paulo. Paulo não queria viajar com Marcos porque este já tinha o abandonado uma vez em plena viagem missionária, e se tem uma coisa que Paulo não suporta é maria-mole. Entretanto, Barnabé fica com Marcos e por um período de dez anos não sabemos nada da vida dele. A próxima vez que encontramos Marcos é junto de Paulo, onde o apóstolo o chama de “cooperador” e “consolador” (Colossenses 4,10-11). No final de sua vida Paulo pede que Timóteo traga Marcos junto com ele, pois este era “muito útil para o ministério”. Deus através de Barnabé tornou Marcos um grande homem.

O que podemos aprender com Barnabé de útil para o nosso ministério? Primeiro, acredita em sua igreja, em seu potencial como presença do reino de Deus onde você estar. Segundo, acredite nas pessoas que estão ao seu lado, motiva-as, encoraja-as, ensine-as a desenvolverem seus dons e ministérios trabalhando para que todas se tornem ministros. Terceiro, tenha paciência com aqueles que fracassam, pois são muito úteis para o ministério.

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