14 dezembro 2011

Tempo de Espera e Dor


Comecei ontem uma leitura no evangelho de Lucas. Comprei um pequeno livreto, do Luiz Mosconi, intitulado de Evangelho de Jesus Cristo Segundo Lucas, para poder acompanhar-me nessa jornada. Logo no início um parágrafo do livro prendeu a minha atenção:

“Jesus Cristo não é para ser discutido demais, e sim para ser conhecido, amado e seguido, até o ponto de dizer, como o apóstolo Paulo: “Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (Gálatas 2.20)”. Quem faz essa experiência, sente a necessidade de partilhá-la, de testemunhá-la, com gosto, até gritar como o apóstolo Paulo: “Ai de mim se eu não anunciar o evangelho” (I Co, 9,16)”.

Parto da premissa que é necessário amar mais a Jesus, conhecê-lo mais e segui-lo completamente, para compartilhar nessas linhas uma história de fidelidade. A primeira história do Evangelho de Lucas é de um casal: Zacarias e Isabel. O texto diz que eles já eram idosos e que não tinham filhos. Essa é uma informação muito importante, pois não ter filhos naquela época era conviver com a vergonha, afinal, filhos são herança do Senhor, não tê-los representava que Deus não era com eles.

Mas, essa é uma história de fidelidade. De um casal que vivia como se todas as promessas tivesse se cumprido em suas vidas, que servia de tal forma que seu testemunho foi contado pelos séculos e séculos. A história de fidelidade de um homem e de uma mulher para com o seu Deus, e da fidelidade de um Deus para com um homem e uma mulher de vidas dignas. Diante dessa leitura fico imaginar o quanto é bom esperar pelos cumprimentos das promessas de Deus em nossas vidas. Para Zacarias e Isabel, representou, mesmo em idade avançada, o nascimento de um filho. Eles seriam pais daquele que seria o maior profeta de todos.

As promessas de Deus para as nossas vidas se realizam no tempo de Deus, da melhor maneira possível, do jeito mais tremendo e inacreditável. Esperar é apenas o momento onde Deus forja o nosso caráter para a realização de algo muito maior. Deus tem uma “preferência” por aqueles que são rejeitados pela sociedade, pelos seus amigos e família, mas cultivam uma vida de retidão diante de Dele. Que não se deixam levar pelos pequenos sofrimentos diários, mas que vivem em perigo de morte por causa de Jesus, para que a vida dEle seja vista em seu corpo (II Co 4.11). Eles acreditam nos sonhos de Deus para as suas vidas e sabem, como diz o poeta moderno: “aquilo que vale apena possuir, vale apena esperar”.

Desejo terminar com frase do Henri Nouwen, um mestre para mim: “A cada dia, a cada momento do dia, há a dor de nossas perdas e a oportunidade de escutar uma palavra que nos perde para que escolhamos viver essas perdas como um caminho para a glóra”.

Nenhum comentário: