07 janeiro 2011

Quero Trazer A Memória O Que Me Dá Esperança


Há um lamento no ar. As cinzas correm pelo chão levadas pelo vento. As casas, antes cheias da alegria, abrigam agora somente o silêncio. Um silêncio rompido apenas pelo choro. Na verdade é o choro que tem sido rompido pela quietude angustiante. As lágrimas não param de correr nos olhos daqueles que restaram em sua terra. Procura-se um amigo, dos tantos que existiram nos tempos de glória, agora todos desapareceram. Não há um ombro para recostar a cabeça. Não há um ouvido para se ouvir o lamento. Perderam a honra e a dignidade.

Na praça troca-se o que tem de mais valor por alguns alimentos. Na triste idéia de continuar vivendo, não mais se percebe que estão apenas morrendo. Os assassinatos se espalham pelas vielas, dentro de suas casas a morte faz sua morada. Os filhos olham para suas mães e clamam por comida e bebida, estão com sede e fome, assim caem pelas ruas, morrem em seus braços. Por isso, não há mais paz, a felicidade abraçou o esquecimento e gerou a tristeza, a amargura, a solidão e o sofrimento.

Mas, esperem, há algo a ser lembrado, relembrado e revivido. Quando eles pensam nisso a esperança volta aos seus corações. Como um hino cantado por um coro celestial, há um desejo de se trazer a memória o que dá esperança. Lembrar que o amor de Deus não se acaba, mesmo diante da barbárie. Relembrar que sua bondade é estranhamente eterna. Reviver a certeza que a cada nascer do sol, a vida insistirá em existir.

(Baseado na Leitura do Livro Bíblico de Lamentações)