16 novembro 2011

Conquistado Para Ser Semelhante a Jesus


Para o que fui conquistado? Qual a razão pela qual Cristo me escolheu?

Estamos em uma sociedade que é totalmente materialista, que define os outros como recursos, não como pessoas, uma sociedade onde o respeito pelo outro está em baixa, não há mais comprometimento. A solidariedade e honestidade se tornam raras, e quando acontece um desses atos, é motivo de toda a imprensa chamar atenção. Se faz grandes reportagens, como se isso não devesse ser algo comum. Para o que fomos conquistados por Cristo? Para sermos ricos, felizes, bem-sucedidos e tudo mais? Fomos conquistados por Cristo para fazer sucesso, para ter uma vida livre de sofrimentos e tristezas? Serão esses os motivos reais pelos quais fomos conquistados?

Paulo nos diz que ainda não conseguiu tudo aquilo que o levaria a perfeição, mas que continua correndo para o prêmio, pois é esse motivo pelo qual ele foi conquistado. Ele precisa correr em busca desse prêmio. Ele não entrara na corrida para perdê-lo, mas para vencer. Não pouparia esforços para poder fazer isso, estava determinado a conquistá-lo. Ele prossegue para o alvo, ele realiza todo esforço necessário para chegar à frente nessa corrida. O conselho de Paulo era: corra, não deixe que suas vidas passem de forma inútil, sejam dignos da vocação para qual vocês foram chamados. Honra o nome de Jesus com as suas vidas. Não percam as suas vidas as preenchendo com ocupações insignificantes. A perfeição, que Paulo procura nesse texto, pode ser muito bem explicada na leitura de Efésio 3,19: “Sim, embora sejam impossível conhecê-lo perfeitamente, peço que vocês venham a conhecê-lo, para que assim encha completamente o ser de vocês com a sua natureza”. Conhecer a quem, a Jesus Cristo de Nazaré, que o levará nosso ser cheio da presença de Deus.

Então para que fomos conquistados por Jesus? Para nos tornamos semelhantes a Ele. Isto é: o objetivo da conversão de Paulo é chegar a “plena salvação”, que consiste de compartilharmos de tudo quanto é e possui. Cristo apossou-se de nós a fim de tornar-nos iguais a ele mesmo, para que fossemos seu corpo místico, para que compartilhássemos de sua natureza e herança. Então fomos conquistados por Jesus por um alvo muito maior do que vir a ele e mudar de endereço para os céus.

Algo interessante é que Paulo nos diz que não julga ter alcançado essa perfeição; mas uma coisa ele faz: “esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante”. Interpreto essa expressão da seguinte maneira: “fomos conquistados para nos dedicarmos completamente a Cristo.

Paulo nos mostra que ele estava todo dedicado a corrida, seus olhos estavam fixos no alvo. Ele deixara todas as coisas para trás, abandonou tudo aquilo que pudesse atrapalhar a sua corrida. Estava ansioso por saltar por cima de qualquer obstáculo. Sua mente concentrava-se exclusivamente na sua tarefa. Não olhava para trás. A maioria das pessoas dedica-se apenas parcialmente a Deus, por causa de seus outros motivos, como dinheiro, sucesso, elevação, senso de segurança carnal. Mas conhecer a Cristo é obter o alvo para o qual fomos conquistados.E dentro desse texto percebemos que ser semelhante a Jesus e dedicar-se completamente a ele. Mostra-nos que fomos conquistados para viver a Nova Vida Que Deus nos chamou a viver por meio de Jesus.

“Sem importar se os expectadores são ricos ou pobres, se dele zombam, se o aplaudem ou insultam, se lançam pedras contra ele, se lhe assaltam a casa, o mesmo que seus filhos ou sua esposa, ou qualquer outra coisa, o corredor não desvia o seu alvo, porquanto se preocupa tão somente com correr e conquistar o prêmio. Aquele que corre não para em parte alguma, porquanto, se mostrar-se negligente, mesmo que em pouco tempo, tudo estará perdido. Aquele que corre não frouxa a corrida em tempo algum, sob hipótese alguma, antes de ter chegado ao fim, mas antes, mais do que nunca, estica-se para vencer a corrida (Crisóstomo).

Se fomos conquistados para sermos semelhantes a Cristo, temos uma grande responsabilidade e talvez ainda nem nos tocamos dela. De acordo com II Cor 3,18, nós refletimos a glória que vem do Senhor. Essa glória vai ficando cada vez mais brilhante e vai nos tornando cada vez mais parecidos com o Senhor, que é Espírito. Nós temos a responsabilidade de parecermos com Cristo, temos a responsabilidade de deixar que os nossos rostos, nossas atitudes, nossas conversas, nossas vidas sejam espelhos do Reino de Deus aqui na Terra.

Lembre-se sempre que o nosso alvo é tornar-se semelhante a Cristo, é para isso que corremos. É isso que buscamos. Quando olhamos Cristo e vemos a sua missão, temos que nos identificar com ela e dizer é também a nossa missão. Se vemos a pobreza a reinar em todos os lugares, temos que erguer as nossas vozes e dizer: bem-aventurados os pobres, porque deles é o reino dos céus. Se encontramos milhares de pessoas chorando, que as consolemos, bem-aventurado os que choram, porque Deus as consolará. Se a humildade é tida hoje como burrice, que possamos proclamar, bem-aventurados os humildes de coração, porque receberão o que Deus tem prometido. Se há fome e sede de justiça, em um mundo cada vez mais injusto, que possamos gritar que Deus deixará completamente satisfeitas essas pessoas. Se há guerras, violência, morte, que possamos dizer que bem-aventurados são aqueles que trabalham pela, pois essas pessoas serão chamadas filhos e filhas de Deus.

Identificar-nos com Jesus é identificar-nos com a sua missão de levar as boas novas aos pobres, de anunciar a liberdade aos presos, dar vista aos cegos, libertar os que estão sendo oprimidos, é anunciar que hoje é o tempo de salvação. Enfim, é prosseguir para o alvo entendendo que esse alvo é Jesus, e se o alvo é Jesus, ser semelhante a Ele, então temos que ser imitadores de todas as suas atitudes de acolhimento, amor, solidariedade e libertação.