29 fevereiro 2012

Enquanto Caminho, Eu Oro



É difícil escrever sobre oração. Carrego comigo a idéia que só podemos falar com propriedade sobre algo se o vivenciamos. E oração requer muita prática. Não digo que não oro, oro sim, da minha maneira, ao meu tempo, de acordo com o meu relacionamento com Deus.  A minha primeira oração do dia é ainda quando estou deitado: Balbucio as minhas primeiras palavras de agradecimento a Deus, durmo, relaxo, esqueço onde parei, continuo, trago a mente as pessoas amadas, oro por elas, cochilo, relembro os problemas que enfrentarei durante o dia, fico temeroso, oro novamente e encontro calmaria. Depois desse momento é que me levanto.

Em outros dias fico algumas noites acordado em conversa com Deus e reflexões mais intensas. Prefiro o silêncio da madrugada. Ninguém para chamar, nenhum telefone a tocar, sem gritos a procura do vizinho. Nesses momentos me ajoelho, deito, louvo e leio, leio muito a sua palavra. Para mim a leitura bíblica é uma forma de oração, onde me calo e Deus fala. É onde me sinto em “casa”, na casa do Pai.

Samuel Coleridge dizia que ora bem quem ama bem. Foster que a verdadeira oração não vem de cerrarmos os nossos dentes, mas de nos apaixonarmos. Aprendi esses dias algo impactante: Jesus Cristo é o único mediador entre mim e Deus, mas também é o único mediador entre mim e o outro. Sou apaixonado por Jesus, acho incrível seu modelo de vida e sua forma de amar, olho para Ele e afirmo igualmente ao filósofo: tão humano assim só poderia ser Deus. Dessa forma olho para os meus irmãos não através do meu olhar, mas através do olhar de Jesus, e faço dessa ação uma forma de oração.

Em uma leitura em Neemias percebi que nenhum grande projeto pode ser iniciado, desenvolvido e concluído se não existir a oração em todas essas fases. Por isso, enquanto caminho eu oro, com pequenas frases ditas em meu coração: seja em um aperto de mão, no compartilhar de um sorriso quando se conta uma piada, numa discussão séria, em um abraço, na parada do ônibus sozinho, ou ainda sozinho debaixo dos meus lençóis umedecidos por minhas lágrimas e somente com a certeza de que o Senhor é a minha fortaleza, socorro bem presente no momento da angústia. 

Um comentário:

Juliana Lira disse...

Esse texto me fez refletir do quanto preciso orar mais. Nao como obrigaçao sabe? Porque obrigaçao é aquela coisa chata que nao te traz alívio ou felicidade, é um peso.
Preciso orar porque preciso desse contato com Deus, preciso orar porque me achego mais a Ele e Ele se achega mais a mim.
Lembro que houve um tempo em que estava desmotivada, triste, e cada dia era só uma repetiçao de horas.
E um psicologo, amigo meu, me disse que faltava paixao na minha vida. Que eu precisava daquele fogo que impulsiona a gente (nao me refiro apenas a paixao entre homem e mulher, mas paixao por uma meta, por um trabalho, por um ideal).
Hoje sou novamente uma pessoa apaixonada. Mas como sinto falta da paixao que sentia por Jesus, da proximidade, do desejo de querer mais. De estar mais próxima, de parecer com Ele.
Teu texto tao bonito e simples me mostrou isso. Preciso muito de Deus.

Milhoes de beijos