18 fevereiro 2013

Paixão Antiga



Cansado do calor escaldante do dia deite-me na rede ao brilho do luar sertanejo. Ela aproximou-se com o seu sorriso meigo e olhar penetrante, contou-me algumas histórias, fez-me rir e desarmando-me de todo o pudor e cuidado necessários ante a uma paixão, abraçou-me exercendo agora um domínio completo do meu corpo.

Preso aquela rede me senti como um prisioneiro que recusava a liberdade, como uma ave que na gaiola não desejava sair a voar. Nossas pernas se cruzavam em um grande reboliço, minhas mãos se perdiam em seu corpo, em meus lábios uma loucura ardente, estranhamente tornei-me dela e ela minha.

No dia seguinte quando nos levantamos pouco caso fizemos de tudo o que tinha acontecido. Olhamos-nos como meros amigos e com um sorriso tímido deixei aquele local. Mesmo que dentro de mim dissesse que eu queria mais daquele momento, o orgulho e o medo do invisível não me permitiram revelar esse segredo.

Hoje faço planos, desfaço sonhos, sonho com tua presença. Desejo-te ter como se minha existência se completasse em ti. Tudo o que faço parece sem sentido, sem vida e sem amor. Desejo-te na praça a caminhar comigo, a partilhar a vida nos embalos da noite, anseio pelo teu sorriso indo de encontro ao meu, o teu cheiro em minha roupa, o meu corpo novamente no teu. 

"Paixão antiga sempre mexe com a gente".

4 comentários:

Robson disse...

"...se cruzavam em um grande reboliço"
Sei de quem é essa influência, aprendendo com os mestres né? e aprendendo bem, belíssimo texto!

Régis Pereira disse...

Esse foi um pequeno texto, uma tentativa Robson de escrever diferente!rsrs Aprendendo contigo!

Régis Pereira disse...

Esse foi um pequeno texto, uma tentativa Robson de escrever diferente!rsrs Aprendendo contigo!

Nanezinha disse...

Belo texto Régis... belo texto sobre a parte bela e não tão bela da vida!