24 novembro 2013

Continuo Sem Querer a Gostar de Ti


O amor que tenho guardado no peito, me faz ser alegre, sofrido e carente/ Ah! Como eu amei!/ Sou sonho, sou verso, sou terra, sou sol/ sentimento aberto” (Benito Di Paula).

Fale-me como tem sido a sua vida. Conte-me novamente os teus segredos, chore novamente em meu ombro, despeje suas mágoas, conforta-se. Fala-me dos caminhos que escolhestes seguir, de suas vitórias e de suas derrotas. Deixa que eu seja novamente o teu amigo, o teu próximo, o teu irmão, teu amante em secreto.

Como um prisioneiro do passado vivo no presente. A cada fechar dos olhos a recordação de algo que nunca aconteceu invade meu íntimo. Lembro-me do primeiro olhar adolescente naquele ônibus, do primeiro sorriso tímido, do encontro frustrado naquela praça tenebrosa, da rosa em seu livro, do tocar de mãos trêmulas, do silêncio desmotivador, da indiferença, da distância...

Continuo a viver a teu dispor. Conheço os seus medos, segredos e sonhos. Talvez como nenhum outro os conheça. Nunca compreendi porque tanta dedicação a ti. Hoje ouvi o poeta indagar: “Será que você seria capaz de se esquecer de mim, e, assim mesmo, depois e depois, sem saber, sem querer, continuar gostando? Como é que a gente sabe?” Respondi rapidamente, não consigo esquecer-te e continuo sem querer a gostar de ti. Triste sina essa minha.

Ah, ano passado nos encontramos, não foi? Não percebeste, mas enquanto eu olhava para ti, as minhas pernas tremiam debaixo da mesa, como se fosse o primeiro e último encontro contigo.

*O poeta que fez a indagação é Guimarães Rosa

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