18 maio 2015

Brasilidades I


Meus poetas e minhas poetisas,

Hoje eu quero falar sobre a minha terra. Peço autorização a todos os santos para que eu possa dizer-lhes algumas coisinhas, como também peço a atenção generosa de vossas senhorias para que me escutem. Mas, não quero dizer-lhes somente com palavras, quero expressá-las em meu corpo e no bater dos tambores, contar-lhes sobre a magia da ritmo que invade o meu ser.

Nós estávamos lá nas palmeiras onde nos seus terreiros, celebrávamos a vida. Enquanto coroávamos nosso rei e nossa rainha ao som de taróis, zabumbas e ganzás, um vento do norte nos chamou. E como uma paixão abençoada por Oyá, fomos levados ao som que nascia das matas e rios de nossa terra. Então, um caboclo nos falou de um boi faceiro, daqueles bem garbosos, e ele nos fez navegar... e como navegamos naquele ritmo de boi.

Naquele momento contemplamos romeiros que faziam sua procissão para São Pedro, e foi impossível não recordar e ser levado até meu torrão de terra e lá fazer as minhas súplicas. Nós, que nem saber rezar direito à gente sabe, pedimos para a chuva cair sem parar. E foi lá, que em uma noite de São João conheci Rosinha, dois pra cá, dois pra lá... dois pra cá, dois pra lá. Olhando as estrelas, até tivemos um sonho maluco: o mundo poderia ser uma grande roda de samba. Daquelas que nos faz entender que somos um em muitos.

Meus poetas e minhas poetisas, vocês podem estar pensando que mente mais confusa desse rapaz. Mas, digo a vocês que não é confusão, e sem querer ocupá-los com mais palavreados, digo-lhes que isso é brasilidades de um Brasil Real.

(Escrito em 16/05/2015, em homenagem ao Cordapés - Grupo de Danças Tradicionais do Brasil). 

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