19 outubro 2016

Há Uma Eternidade



Procurei nas minhas lembranças perdidas onde te encontrei,
E assim justificar essa sensação de reencontro.
Examinei entre os meus sentimentos o motivo desse medo
De aproximar-se, de entregar-se e de viver.
Busquei onde era timidez a coragem para olhar em teus olhos e sorrir.

Na primeira vez que me escrevestes
A felicidade provocou o esquecimento de uma resposta.
Na segunda vez que nos encontramos
A caminhada permitiu novos laços de afetividade.
E de forma afetiva, na terceira me rendi.

Nos dias que se passam lentamente sem você,
Acelero e me contenho, aprendo a ser paciente,
Entendendo que para tudo há um tempo

E para outras há uma eternidade...

07 janeiro 2016

Esses Dias


Do alto de minha superficialidade admirava a tua real presença no meio daqueles que me escutavam. Em meio daqueles que se despediam, contemplava, ainda que timidamente, a tua partida. Na noite que se estendia, maquinava benevolamente encontrar-te outra vez.

No entardecer daquele outro dia o brilho dos teus castanhos olhos invadia a escuridão dos meus.  Aquele sorriso penetrou a minha alma, sem alardes e formalidades, trazendo-me a calma daqueles que amam devotadamente. Despedir foi difícil, pois na verdade não queria ir, e por que ir? Qualquer fato tornava-se motivo para mais algumas palavras. Enfim, infelizmente no fim, senti o teu cheiro... ah, teu cheiro...tua pele... teu respirar...

Ao terceiro dia voltei a maquinar benevolamente. Mesmo sabendo as regras do jogo, joguei para que pudesse perder e perdendo pudesse ganhar. Acabei sendo derrotado duas vezes, faltando-me humildade para reconhecer que nesse encanto faltou um toque a mais de magia.


Enfim, sigamos apenas com as lembranças e a fascinação desses dias... quem sabe um dia... quando as videiras crescerem, poderemos então desfrutar do seu fruto, onde um século cabe em uma sala de um café