07 janeiro 2016

Esses Dias


Do alto de minha superficialidade admirava a tua real presença no meio daqueles que me escutavam. Em meio daqueles que se despediam, contemplava, ainda que timidamente, a tua partida. Na noite que se estendia, maquinava benevolamente encontrar-te outra vez.

No entardecer daquele outro dia o brilho dos teus castanhos olhos invadia a escuridão dos meus.  Aquele sorriso penetrou a minha alma, sem alardes e formalidades, trazendo-me a calma daqueles que amam devotadamente. Despedir foi difícil, pois na verdade não queria ir, e por que ir? Qualquer fato tornava-se motivo para mais algumas palavras. Enfim, infelizmente no fim, senti o teu cheiro... ah, teu cheiro...tua pele... teu respirar...

Ao terceiro dia voltei a maquinar benevolamente. Mesmo sabendo as regras do jogo, joguei para que pudesse perder e perdendo pudesse ganhar. Acabei sendo derrotado duas vezes, faltando-me humildade para reconhecer que nesse encanto faltou um toque a mais de magia.


Enfim, sigamos apenas com as lembranças e a fascinação desses dias... quem sabe um dia... quando as videiras crescerem, poderemos então desfrutar do seu fruto, onde um século cabe em uma sala de um café

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