29 dezembro 2011

Porque Deus Fez os Seres Humanos Assim?






“Porque Deus fez os seres humanos assim, capazes de se odiar, de chegar a matar injusta e cruelmente uns aos outros”? Essa é uma pergunta feita por Jon Sobrino em seu livro intitulado Onde está Deus? O livro faz uma reflexão a partir de um terrremoto devastador em El Salvador e do ataque terrorista de 11 de setembro nos Estados Unidos, e de guerras que foram conseqüências desse atentado.

Sofrimento e morte têm nos acompanhando no mundo atual. Em minha própria mente a pergunta feita por Jon Sobrino ressoa sem parar. As guerras acontecem, pessoas morrem injustamente, o mundo é marcado pela desigualdade e a barbárie. Por que Deus fez os seres humanos assim?

Não tenho respostas para todas as questões do sofrimento humano. O que posso falar é da experiência de conhecer o Deus crucificado. Olhando para a cruz posso compreender um Deus diferente do que estamos acostumados a olhar. Não é um Deus distante, desconhecedor do sofrimento, que só nos salvará se for por meio de grandes milagres. É um Deus que está em silêncio na cruz, mas que conhece o meu sofrimento, compartilha da minha dor, pois é na cruz que Deus está se reconciliando comigo através de Jesus (II Co 5,18). E o que está no fundo de tudo isso é o amor. Nas palavras de Jon Sobrino: Deus mostra seu amor ao ficar próximo das vítimas, ao estar solidário com elas, totalmente e até o final. Por isso não importa que eu ainda seja pecador, Deus continua provando o seu amor por mim.

A melhor resposta para o sofrimento humano é reconhecer que Deus está ao meu lado. Pois Deus também sofreu na cruz, “e somente um Deus que sofre pode nos ajudar” (Bonhoeffer). Ontem acontecerem crimes que me assustaram, hoje, chorei por estar decepcionado com tantas coisas, mas pude compreender que Cristo despedaçado na cruz ressuscitou. Por que Deus fez seres humanos assim? Não! Deus não fez seres humanos assim, pois Deus é um Deus em favor da vida, que está do nosso lado totalmente e até o final.

27 dezembro 2011

Valeu À Pena Esperar



Que estranho desejo? Porque preciso sair hoje de minha casa? Tu sabes que não tenho mais a disposição da juventude comigo. Os meus braços estão constantemente cansados, as minhas pernas já não me levam tão longe. Preciso esforça-me para entender o que os outros falam. Mas, porque me incomodas, Senhor? O que queres me mostrar?

Não bastasse a fadiga do corpo, trago comigo o cansaço da alma. O cansaço daqueles que esperam por dias melhores, daqueles que buscam a fidelidade a Ti, mesmo vendo poucas coisas mudarem. O cansaço daqueles que vêem os teus filhos mendigando o pão e sendo entregues como escravos para um povo estranho. Deus, quantas vezes gritei paz, paz, mas violência, violência se colocaram a minha frente.

Os anos voam e estou tão cansado. Olho ao meu redor e vejo um povo que se deixa levar pela injustiça, uma nação que diz pelas suas ruas: “nada é mais injusto do que a igualdade”. Vejo os meus irmãos escravizarem nossos próprios irmãos, porque um povo estranho fez com que acreditássemos que o pecado não existia, pois o que realmente existe é apenas o nosso desejo de realização própria, nossa vontade individual de crescer, nem que para isso necessitemos diminuir o próximo.

Subo as escadas do templo e lembro-me de tua promessa. Ensaio um pequeno sorriso em meio a tanto cansaço. Tu me disseste que antes da minha morte eu veria o Messias. Os anos se passaram, sinto próxima a morte e sinto mais próxima ainda a tua promessa. É ela que renova as minhas forças.

Próximo ao altar vejo uma família. Estão oferecendo em sacrifício a Ti dois pombinhos, certamente são pobres demais para poderem ofertar uma ovelha. Com eles o primeiro filho. Aproximo-me para poder ajudar no sacrifício. Pego a criança em meu colo e o meu coração começa a arder, uma lágrima começa a rolar do meu rosto. Quanto tempo eu esperei? Quantas vezes eu achei que não veria este momento? Quantas lágrimas de tristeza eu derramei. Em minha velhice achei que esse momento não aconteceria.

Mas, Senhor cumpriste a promessa que fizeste e já podes deixar este teu servo partir em paz. Pois eu já vi com os meus próprios olhos a tua salvação, que preparaste na presença de todos os povos: uma luz para mostrar o teu caminho a todos os que não são judeus e para dar glória ao teu povo de Israel (Lucas 2.29-32).

Em meus braços o motivo da minha salvação. Tão frágil, tão vivo, tão pobre, tão rico. Mais uma vez dou graças a Deus, olho nos olhos daquela mãe e sinto o quanto ela ainda irá sofrer por causa do seu filho, e quanto seu filho irá sofrer por causa de um mundo tão mau e injusto.

Volto para casa em passos vagarosos. Deito em minha cama. Abra um sorriso e digo para mim mesmo: “valeu à pena esperar”.

24 dezembro 2011

Projeto 2012 - O Caixa



Desejo adicionar a essas linhas seguintes outras linhas, várias outras linhas. Essa será uma das minhas metas no ano de 2012, que comecei nesse ano.

Eu não sei como contar uma história. Não consigo colocar as palavras nos lugares corretos e o meu pensamento às vezes é muito disperso. Não pretendo que vocês sintam pena de mim e nem que se sintam forçados a continuarem a ler se não gostarem. Afinal, sempre que procurei agradar alguém acabei me ferrando. Não desejo agradá-los, o tempo passou , é tarde demais.

Busquei encontrar soluções diversas para os meus problemas, e descobri que esses são os meus problemas e o que eu mesmo era um grande problema, conveniente e aproveitável quando necessário, descartável nos outros momentos. Talvez por isso me tornei aquilo que esperavam que eu fosse. Isso mesmo, eu sabia que chegaria aqui, eles sabiam, você perceberá que também sabia. Entretanto é mais fácil fingir que não se sabe, do que saber e mostrar que sabe e assim torna-se responsável por tudo o que aconteceu. É a mesma história que ouvi várias vezes, sem lei não há pecado, então se não conheço, não tenho responsabilidades. Esqueceram de avisar que é pior saber e fingir que não sabe. Ver e ao mesmo tempo não enxergar, ouvir e ao mesmo tempo não escutar, mostra-nos como somos seres incompletos e incapazes de sermos humanos.

Mas será que não estou errado? Talvez o instinto humano nos mostre que outros humanos nasceram superiores a nós. Sim, deve ser isso, eu nasci nessa condição miserável porque o Criador de todas as coisas desejou assim, não mudarei minha situação, pois sou incapaz de fazer, tudo está delimitado e jamais deve ser questionado. É normal morar onde sempre morei, nas mesmas condições, que não são sub-humanas, já que estamos certos que esse conceito não existe. Ou melhor, esse conceito existe, mas é uma confusão criada por meia-dúzia de desocupados que acreditam que os todos os seres humanos são iguais. São conceitos, idéias abstratas, não tratam da realidade totalmente.

Realidade, realidade. Tantas vezes tentei fugir dela, transformar a loucura em lucidez. Desejei que os trapos que me vestiam fossem transformados em vestes dignas, que outros olhassem e sentisse orgulho, ou mesmo inveja de mim. Brincava para fugir da realidade, criava o meu próprio mundo, fantasiado de alegorias, de um colorido que trouxesse a esperança. Naquele tempo, ainda achava possível ter esperança, mesmo sem compreender do que necessariamente se tratava esse sentimento...

17 dezembro 2011

Sinto vergonha de mim! (Cleide Canton)







Deparei-me com essa poesia pela primeira vez com o Rolando Boldrin declamando. Achei de uma simplicidade e verdade incontestáveis. Quantos de nós já não perdemos a esperança de viver em uma democracia mais justa e igualitária, onde a honestidade seja o princípio fundamental.
Sinto vergonha de mim…
por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.
Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o “eu” feliz a qualquer custo,
buscando a tal “felicidade”
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.
Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos “floreios” para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre “contestar”,
voltar atrás
e mudar o futuro.
Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer…
Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.
Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro !

***
“De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto”.
(Rui Barbosa)





14 dezembro 2011

Tempo de Espera e Dor


Comecei ontem uma leitura no evangelho de Lucas. Comprei um pequeno livreto, do Luiz Mosconi, intitulado de Evangelho de Jesus Cristo Segundo Lucas, para poder acompanhar-me nessa jornada. Logo no início um parágrafo do livro prendeu a minha atenção:

“Jesus Cristo não é para ser discutido demais, e sim para ser conhecido, amado e seguido, até o ponto de dizer, como o apóstolo Paulo: “Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (Gálatas 2.20)”. Quem faz essa experiência, sente a necessidade de partilhá-la, de testemunhá-la, com gosto, até gritar como o apóstolo Paulo: “Ai de mim se eu não anunciar o evangelho” (I Co, 9,16)”.

Parto da premissa que é necessário amar mais a Jesus, conhecê-lo mais e segui-lo completamente, para compartilhar nessas linhas uma história de fidelidade. A primeira história do Evangelho de Lucas é de um casal: Zacarias e Isabel. O texto diz que eles já eram idosos e que não tinham filhos. Essa é uma informação muito importante, pois não ter filhos naquela época era conviver com a vergonha, afinal, filhos são herança do Senhor, não tê-los representava que Deus não era com eles.

Mas, essa é uma história de fidelidade. De um casal que vivia como se todas as promessas tivesse se cumprido em suas vidas, que servia de tal forma que seu testemunho foi contado pelos séculos e séculos. A história de fidelidade de um homem e de uma mulher para com o seu Deus, e da fidelidade de um Deus para com um homem e uma mulher de vidas dignas. Diante dessa leitura fico imaginar o quanto é bom esperar pelos cumprimentos das promessas de Deus em nossas vidas. Para Zacarias e Isabel, representou, mesmo em idade avançada, o nascimento de um filho. Eles seriam pais daquele que seria o maior profeta de todos.

As promessas de Deus para as nossas vidas se realizam no tempo de Deus, da melhor maneira possível, do jeito mais tremendo e inacreditável. Esperar é apenas o momento onde Deus forja o nosso caráter para a realização de algo muito maior. Deus tem uma “preferência” por aqueles que são rejeitados pela sociedade, pelos seus amigos e família, mas cultivam uma vida de retidão diante de Dele. Que não se deixam levar pelos pequenos sofrimentos diários, mas que vivem em perigo de morte por causa de Jesus, para que a vida dEle seja vista em seu corpo (II Co 4.11). Eles acreditam nos sonhos de Deus para as suas vidas e sabem, como diz o poeta moderno: “aquilo que vale apena possuir, vale apena esperar”.

Desejo terminar com frase do Henri Nouwen, um mestre para mim: “A cada dia, a cada momento do dia, há a dor de nossas perdas e a oportunidade de escutar uma palavra que nos perde para que escolhamos viver essas perdas como um caminho para a glóra”.

20 novembro 2011

Comunidade com Unidade.


Dias atrás falei da importância de vivermos em unidade. Se você lembra bem, descobrimos que viver em unidade é permanecer no amor apesar de todas as dificuldades e conflitos. Podemos recordar daquele texto que está em Atos 2,46, onde os primeiros discípulos perseveravam unânimes, partindo o pão, comendo junto com alegria e singeleza de coração. Isso é comunhão, é uma comunidade com unidade.

Precisamos aprender isso também, porque a oração de Jesus para que sejamos um tem um propósito: Para que o mundo creia que Deus o enviou. A comunhão da igreja no texto de atos fez com que ela caísse na “graça do povo”. E Deus a cada dia acrescentava mais pessoas. Nós estamos caindo na graça do povo? A nossa unidade pode ser vista por todos?

Algumas pessoas se sentem inferiores diante de outras. Outras, ao contrário se sentem superiores demais. Para que sejamos um e o mundo creia na mensagem de Jesus precisamos aprender que temos a mesma importância diante Deus. Somos iguais e ao mesmo tempo diferentes. Com diferenças que nos especificam e não nos inferiorizam.

Você é e simplesmente existe. Um pequeno arbusto ou uma grande e alta árvore, não importa, você é você mesmo. Uma folhinha da relva e tão necessária quanto a maior das estrelas. Simplesmente olhe a sua volte. Tudo é necessário e tudo se encaixa. É uma unidade orgânica: Ninguém é mais alto ou mais baixo, ninguém é superior ou inferior, cada um é incomparavelmente único. Se compreendermos isso aprenderemos a viver em unidade. Esse é o nosso desejo, é o desejo de Jesus para as nossas vidas.

16 novembro 2011

Conquistado Para Ser Semelhante a Jesus


Para o que fui conquistado? Qual a razão pela qual Cristo me escolheu?

Estamos em uma sociedade que é totalmente materialista, que define os outros como recursos, não como pessoas, uma sociedade onde o respeito pelo outro está em baixa, não há mais comprometimento. A solidariedade e honestidade se tornam raras, e quando acontece um desses atos, é motivo de toda a imprensa chamar atenção. Se faz grandes reportagens, como se isso não devesse ser algo comum. Para o que fomos conquistados por Cristo? Para sermos ricos, felizes, bem-sucedidos e tudo mais? Fomos conquistados por Cristo para fazer sucesso, para ter uma vida livre de sofrimentos e tristezas? Serão esses os motivos reais pelos quais fomos conquistados?

Paulo nos diz que ainda não conseguiu tudo aquilo que o levaria a perfeição, mas que continua correndo para o prêmio, pois é esse motivo pelo qual ele foi conquistado. Ele precisa correr em busca desse prêmio. Ele não entrara na corrida para perdê-lo, mas para vencer. Não pouparia esforços para poder fazer isso, estava determinado a conquistá-lo. Ele prossegue para o alvo, ele realiza todo esforço necessário para chegar à frente nessa corrida. O conselho de Paulo era: corra, não deixe que suas vidas passem de forma inútil, sejam dignos da vocação para qual vocês foram chamados. Honra o nome de Jesus com as suas vidas. Não percam as suas vidas as preenchendo com ocupações insignificantes. A perfeição, que Paulo procura nesse texto, pode ser muito bem explicada na leitura de Efésio 3,19: “Sim, embora sejam impossível conhecê-lo perfeitamente, peço que vocês venham a conhecê-lo, para que assim encha completamente o ser de vocês com a sua natureza”. Conhecer a quem, a Jesus Cristo de Nazaré, que o levará nosso ser cheio da presença de Deus.

Então para que fomos conquistados por Jesus? Para nos tornamos semelhantes a Ele. Isto é: o objetivo da conversão de Paulo é chegar a “plena salvação”, que consiste de compartilharmos de tudo quanto é e possui. Cristo apossou-se de nós a fim de tornar-nos iguais a ele mesmo, para que fossemos seu corpo místico, para que compartilhássemos de sua natureza e herança. Então fomos conquistados por Jesus por um alvo muito maior do que vir a ele e mudar de endereço para os céus.

Algo interessante é que Paulo nos diz que não julga ter alcançado essa perfeição; mas uma coisa ele faz: “esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante”. Interpreto essa expressão da seguinte maneira: “fomos conquistados para nos dedicarmos completamente a Cristo.

Paulo nos mostra que ele estava todo dedicado a corrida, seus olhos estavam fixos no alvo. Ele deixara todas as coisas para trás, abandonou tudo aquilo que pudesse atrapalhar a sua corrida. Estava ansioso por saltar por cima de qualquer obstáculo. Sua mente concentrava-se exclusivamente na sua tarefa. Não olhava para trás. A maioria das pessoas dedica-se apenas parcialmente a Deus, por causa de seus outros motivos, como dinheiro, sucesso, elevação, senso de segurança carnal. Mas conhecer a Cristo é obter o alvo para o qual fomos conquistados.E dentro desse texto percebemos que ser semelhante a Jesus e dedicar-se completamente a ele. Mostra-nos que fomos conquistados para viver a Nova Vida Que Deus nos chamou a viver por meio de Jesus.

“Sem importar se os expectadores são ricos ou pobres, se dele zombam, se o aplaudem ou insultam, se lançam pedras contra ele, se lhe assaltam a casa, o mesmo que seus filhos ou sua esposa, ou qualquer outra coisa, o corredor não desvia o seu alvo, porquanto se preocupa tão somente com correr e conquistar o prêmio. Aquele que corre não para em parte alguma, porquanto, se mostrar-se negligente, mesmo que em pouco tempo, tudo estará perdido. Aquele que corre não frouxa a corrida em tempo algum, sob hipótese alguma, antes de ter chegado ao fim, mas antes, mais do que nunca, estica-se para vencer a corrida (Crisóstomo).

Se fomos conquistados para sermos semelhantes a Cristo, temos uma grande responsabilidade e talvez ainda nem nos tocamos dela. De acordo com II Cor 3,18, nós refletimos a glória que vem do Senhor. Essa glória vai ficando cada vez mais brilhante e vai nos tornando cada vez mais parecidos com o Senhor, que é Espírito. Nós temos a responsabilidade de parecermos com Cristo, temos a responsabilidade de deixar que os nossos rostos, nossas atitudes, nossas conversas, nossas vidas sejam espelhos do Reino de Deus aqui na Terra.

Lembre-se sempre que o nosso alvo é tornar-se semelhante a Cristo, é para isso que corremos. É isso que buscamos. Quando olhamos Cristo e vemos a sua missão, temos que nos identificar com ela e dizer é também a nossa missão. Se vemos a pobreza a reinar em todos os lugares, temos que erguer as nossas vozes e dizer: bem-aventurados os pobres, porque deles é o reino dos céus. Se encontramos milhares de pessoas chorando, que as consolemos, bem-aventurado os que choram, porque Deus as consolará. Se a humildade é tida hoje como burrice, que possamos proclamar, bem-aventurados os humildes de coração, porque receberão o que Deus tem prometido. Se há fome e sede de justiça, em um mundo cada vez mais injusto, que possamos gritar que Deus deixará completamente satisfeitas essas pessoas. Se há guerras, violência, morte, que possamos dizer que bem-aventurados são aqueles que trabalham pela, pois essas pessoas serão chamadas filhos e filhas de Deus.

Identificar-nos com Jesus é identificar-nos com a sua missão de levar as boas novas aos pobres, de anunciar a liberdade aos presos, dar vista aos cegos, libertar os que estão sendo oprimidos, é anunciar que hoje é o tempo de salvação. Enfim, é prosseguir para o alvo entendendo que esse alvo é Jesus, e se o alvo é Jesus, ser semelhante a Ele, então temos que ser imitadores de todas as suas atitudes de acolhimento, amor, solidariedade e libertação.

09 novembro 2011

O Som Que Embala a Minha Vida

Estava agora pouco deitado na rede e escutando Super Duper Love, da cantora inglesa Joss Stone. O também inglês, mas poeta, Robert Browning, dizia que: "quem ouve música, sente de repente, sua solidão povoada". Concordo plenamente com essas palavras, apesar de não ter nascido para cantar, sinto que a música é algo que acalma a minha alma e desperta sentimentos que eu não sei bem explicar, então fico com a definição de Schopenhauer: "A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão não compreende". Esse é um post meio diferente no meu blog, gostaria de apenas postar algumas músicas interessantes que guardo na memória.


A primeira música que eu me lembro ter ouvido não foi nenhuma canção de ninar. Eu morava na zona rural do sertão paraibano e o meu pai tinha um cassete do Sérgio Reis. Ele ouvia a música e voltava no rec. O refrão ficou na minha cabeça por longos anos: "nesta casa tem goteira, pinga ni mim..."


Na minha adolescência os meus ouvidos foram regados por muito forró. Quem mora no Nordeste certamente me entenderá. Então algumas bandas me marcaram muito, mas uma música em especial conseguiu retirar as minhas primeiras lágrimas de emoção por sua letra tão bem elaborada. A história do vaqueiro, que é proibido de casar com o seu grande amor porque ela é filha de um coronel da região.


Em 2011 eu passei a fazer parte da Igreja Presbiteriana Independente. E igreja é um lugar que tem muita música. Éramos adolescentes que amavam dançar e apresentar peças de teatro na rua. A nossa canção mais famosa era: "Minha Pequena Luz, eu vou Deixar Brilhar".


Aí vem o primeiro amor. Nesse tempo música não é mais sinônimo de alegria, e dependendo de qual você está escutando, pode lhe levar para baixo. Até hoje quando escuto essa canção me vem a lembrança dela. Para não lembrar muito, acabo nem escutando, até porque a música não é muito boa.

Sempre gostei de ouvir Chico Buarque, Maria Bethania, Chico César, Belchior, entre outros. Por causa deles sofri muita discriminação; Desejo finalizar com duas músicas. A primeira é da Adele, One and Only, essa música me inspira e trás uma estranha coragem. A segunda, é Casinha Branca, cantada por Maria Bethania: esse som embala minha vida, traz em sua letra os meus sonhos.



E qual música embala sua vida?



06 novembro 2011

Seduzido Por Deus


A vocação de Jeremias é descrita no capítulo 1 de forma bela: Deus lhe apresenta a missão, tocando em sua boca e colocando suas palavras. Deus confia a Jeremias a missão de destruir, arrancar e plantar a justiça divina (1,4-10). Jeremias resiste dizendo que não sabe falar: “Ah! Senhor Deus, eis que eu não sei falar, porque sou ainda uma criança!”. E Deus mesmo diz: “Não tenhas medo deles agora, pois do contrário, eu farei com que você fique com mais medo ainda quando estiver no meio deles (1,17).

Quando olho para Jeremias, vejo uma pessoa marcada pelo medo e por muita crise. Na verdade, ele era um profeta medroso. Ele afirma que Deus o seduziu, e seduzido ele ficou. Teve a sua vida modificada, mas reclamava e protestava a Deus por causa disso. Responsabiliza Deus por toda a sua desgraça, pois ninguém queria ouvi-lo e muitos zombavam dele.

“Mas o medo e as limitações humanas são inerentes a vocação”. Deus não nos livra de todas as dificuldades, ao contrário, elas existem e resistem em nossas vidas para forjar um caráter em nós semelhante aquele que nos chamou. Lendo a história de Jeremias percebemos que quando Deus chama alguém, é porque este já é íntimo Seu: “Antes mesmo de te formar no ventre materno, eu te conheci; antes que saísses do seio, eu te consagrei” (1,5). A vida do “vocacionado” não pertence a ele mesmo, pertence a Deus, antes mesmo dele nascer.

São por essas razões que o “vocacionado” não consegue ficar quieto diante da injustiça que se coloca a sua frente. Ele sente que não pode fazer outra coisa, senão denunciar, denunciar e denunciar. Em Jeremias 20, ele afirma que não irá mais falar em nome de Deus, que vai esquecer o Senhor, mas de repente acontece algo e ele exclama: “a tua mensagem fica presa dentro de mim e queima como fogo no meu coração. Estou cansado de guardá-la e não posso mais agüentar”(20,9).

Com isso aprendemos que as incertezas, crises e medos farão parte de nossas vidas. Mas, o fogo abrasador que está dentro de nossos corações, que nos formou no ventre de nossas mães, não se apagará e fará com que levantemos com mais força e vigor para anunciar a mensagem que está presa em nossa garganta. Então não há outro caminho, a não ser deixar-se seduzir por Deus.

21 outubro 2011

Lança O Teu Pão Sobre As Águas


Um dia desses saí para visitar uma senhora que faz parte de nossa comunidade. Sem nenhuma intenção recebi um dos maiores ensinamentos de minha vida. Lembro-me quando cheguei a sua casa a recepção foi maravilhosa, fui acolhido como se acolhem os anjos. Uma casa simples, de dois pequenos vãos, mas de uma simplicidade e organização exuberantes.

Então, ela me convidou até o lugar onde ficava a cozinha e pegou um único pão e começou a esquentá-lo. Fiquei preocupado de estar tirando dela a única alimentação daquela noite, pois éramos três visitantes. Meio constrangido disse que não gostaria de comer nada, estava satisfeito. Entretanto, ela insistiu que eu me alimentasse. Acho que ela estava entendendo o que se passava na minha cabeça, então olhou para mim e comentou: “Pastor, lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás”.

Aquela palavra foi impactante. Senti que uma faca de dois gumes atravessava o meu coração e chocava-se com a minha pouca fé. Fé que na vida daquela senhora era vivida com a certeza de receber tudo aquilo que necessitava para estar ali, mesmo que não estivesse vendo absolutamente nada acontecer.

Saí da casa daquela senhora com a frase ecoando em minha mente: “Pastor, lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás”. Quando cheguei em casa, logo fui procurar o texto de referência. Tratava-se de Eclesiastes 11,1. O texto aborda a maneira prudente como devemos conduzir a nossa vida. Mas, o interessante é que a maneira prudente de se conduzir a vida é vivê-la com fé. É lançar-se na incrível experiência de não ficar estacionado em meio as incertezas do tempo, mas trabalhar certo que dias melhores virão. É a incrível experiência de não ficar observando o vento ou as nuvens, esperando para semear somente quando chuva cair, mas semear sem ver nuvens e ventos com a certeza que no tempo determinado ela virá.

Na verdade ainda estou aprendendo a lançar o meu pão sobre ás águas. A minha fé ainda é muito pequena se comparada a dessa senhora. Às vezes me pergunto: se eu lançar o meu pão sobre as águas, o que comerei? Mas, sei que tudo o que necessito é lançar-se, porque o melhor investimento que posso fazer é acreditar, é investir em minha fé, algo que ninguém pode tirar de mim. É investir na certeza que o trabalho que faço hoje, quem melhor pode me recompensar é aquele que me alistou para essa boa obra.

10 outubro 2011

Eu não me Envergonho do Evangelho (Romanos 1,16-17)

Entendo em que em nossos dias o significado da palavra evangelho esteja longe daquilo que ela realmente significa. Reduzimos a ideia sublime contida nesses escritos, a uma ideia marcada pela religiosidade, pelos desejos meramente humanos, confundimos de forma até enfática evangelho com evangélico, que é o mesmo que confundir aquilo que é santo com o que é impuro. Digo isto, não com alegria, mas com tristeza, porque muitos hoje que se dizem evangélicos, não tem parte com o evangelho, usa-o para atender aos seus desejos pecaminosos, maus e irrelevantes. Evangélicos que não reconhecem o caminho da cruz não são dignos do evangelho.

O Pr. Charles Spurgeon dizia: “A falta de pureza na fé costuma ser ocasionada pela ausência de conversão. Se tais homens tivessem experimentado o poder do evangelho em suas almas, não o teriam abandonado tão facilmente para ir em busca de fábulas”. Estamos numa sociedade que busca estas fábulas. Que fazem de Cristo a máquina de atender os seus desejos. Numa sociedade que não existe mais o comprometimento com o evangelho, o comprometimento com Jesus Cristo. Estamos na sociedade do simplesmente funciona. Se Jesus Cristo não funcionar podemos descartá-lo, trocá-lo, fazer as reclamações ao criador original, Deus. Dizer Deus, não está funcionando, não foi isso que comprei, preciso que o senhor troque, mande um anjo aí, mais eficiente, mais rápido, mais simples. O mais triste de toda essa história é que essas pessoas vão domingo após domingo a várias igrejas e acreditam fielmente que se converteram, quando na verdade nunca passaram pela a cruz de Cristo. As pessoas estão achando que Jesus é uma máquina que simplesmente funciona e elas têm chamado isso de evangelho.

Evangelho não é uma ideia. Não é uma filosofia, pois essas vêem e passam. Evangelho não é um dogma da igreja, porque na verdade ele traz a própria a verdade que deve ser lida e interpretada e acima de tudo vivida. Evangelho não é uma motivação para prosperar financeiramente na vida. Evangelho não é um fabula qualquer contada por quatro loucos e confirmada por tantos outros. Isso definitivamente não é evangelho.

Mas aqueles que desejam viver piedosamente aquilo que o evangelho os conclama a viverem, tem se sentidos constrangidos. Romanos capítulo 1,16 Paulo diz que não se envergonha do evangelho porque ele é poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. Se o evangelho é poder de Deus ele está acima de nossa compreensão, estar acima de nossos projetos, nossos desejos, sonhos, está acima da própria vida e da própria morte. Paulo não se envergonha do evangelho porque estas boas novas são o poder de Deus, cujo propósito e alvo são a realização da libertação ou salvação do homem pecador. Um homem obtém tal salvação quando a sua constante reação individual diante do evangelho é a confiança e crença – todo aquele que crê. O evangelho aponta para a fé em Jesus Cristo, e confiar em Cristo é entregar-se-lhe. Confiar em Cristo é envolver-se totalmente nas verdades eternas ensinadas por Ele e a respeito Dele no Novo Testamento.

Em Efésio 1,13 Paulo nos diz que o evangelho é a verdadeira mensagem da parte de Deus: “A mesma coisa aconteceu também com vocês. Quando ouviram a verdadeira mensagem, a boa notícia que trouxe para vocês a salvação, vocês creram em Cristo. E Deus pôs em vocês a marca de proprietário quando lhe deu o Espírito Santo, que Ele havia prometido”. Atentemos para o fato de que aqueles que receberam a mensagem do evangelho e aceitaram foram marcados com o selo do Espírito Santo. Isso quer dizer que é necessária uma transformação total em nosso ser, e um envolvimento a tal modo com Jesus Cristo, que produzam uma sinceridade moral, uma dedicação e uma consagração visível em todos os aspectos da vida. Com isso, vale entender a mensagem que nos diz que já vivemos mais, mas Cristo vive em nós. Esse é o verdadeiro sentido do evangelho: permitir que Jesus Cristo viva em nós!

Trazendo isso para termos práticos em comparação com que o fizemos no início, afirmamos que é necessária uma maior responsabilidade por parte daqueles que se dizem seguidores de Jesus Cristo. Dessa maneira entramos na segunda parte do texto que lemos hoje: “ele é a justiça de Deus que se revela, pela fé e para a fé, segundo o que está escrito: o justo viverá pela fé”.

Entendemos essa justiça como a natureza santa de Deus, seu próprio caráter justo. “Todavia essa justiça não é meramente uma descrição de um atributo divino, mas também subentende uma espécie de natureza que ele injeta nos remidos. Os homens, uma vez transformados segundo a imagem de Cristo, em sentido bem real e literal participam da santidade de Deus”. Em Mateus 5,48 está escrito: “Portanto, sejam perfeitos em amor, assim como é perfeito o Pai de vocês, que está no céu”. Isso indica a doação das perfeições morais aos remidos. É a agencia do evangelho que produz essa natureza nova dos homens.

Essa justiça é nos dada de fé em fé. O cristão só alcança essa justiça através da Fé em Jesus Cristo, ela é essencial para o homem ser justo. Todas as suas ações serão determinadas por ela. O caminho a ser seguido é o caminho indicado por Jesus Cristo, o caminho do Evangelho.

Gostaria de terminar hoje com o prefácio do Novo Testamento, escrito nos anos de 1534 por João Calvino. Um resumo belo do evangelho:

Sem o evangelho

tudo é inútil e vão;

sem o evangelho

não somos cristãos;

sem o evangelho

toda riqueza é pobreza;
toda sabedoria, loucura diante de Deus;
toda força, fraqueza;
e toda a justiça humana jaz sob a condenação de Deus.

Mas pelo conhecimento do evangelho somos feitos

filhos de Deus,
irmãos de Jesus Cristo,
compatriotas dos santos,
cidadãos do Reino do Céu,
herdeiros de Deus com Jesus Cristo, por meio de quem

os pobres são enriquecidos;
os fracos, fortalecidos;
os néscios, feitos sábios;
os pecadores, justificados;
os solitários, confortados;
os duvidosos, assegurados;
e os escravos, libertados.

O evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo o que crê. Assim, tudo o que poderíamos pensar ou desejar deve ser achado somente neste mesmo Jesus Cristo.[1]


[1] Fonte: “Preface to Olivétan’s New Testament” em Westminster Library of Christian Classic (Vol. XXIII), Calvin: Commentaries - Westminster John Knox Press, julho/79, pp. diversas.

Fragmentos do prefácio de Calvino à versão francesa do Novo Testamento (1534) traduzido por Pierre Robert Olivétan.

23 agosto 2011

Barnabé



Um personagem bíblico chamado Barnabé tem exercido nesses dias uma grande influência em minha vida. O seu nome já tem uma grande significado para mim: filho da consolação. Essa influência se dar porque tenho passado por um momento de mudanças, buscando encontrar novos rumos, idéias e projetos, mas também tentando de todas as maneiras simplificar meu estilo de vida. Mas deixamos de falar de mim, e vamos ao tal Barnabé (Atos 4,36-37).

Um grande talento desse homem é capacidade de influenciar grupos. Conhecemos Barnabé como um dos pastores de Antioquia, umas das principais cidades do Império Romano. Uma igreja que nasceu em meio à perseguição, mas com um senso de missão amplo, tendo em sua liderança homens de diferentes raças, algo inimaginável para a Igreja de Jerusalém que via salvação apenas para o seleto grupo de judeus (Atos 11,19-26). Diferentemente de qualquer apóstolo de Jerusalém, Barnabé vê a graça de Deus na nova comunidade que era tão heterogênea e se alegra com essa obra. Como pastor dessa igreja teve a capacidade de animá-los a conviverem com suas diferenças. Com suas diferenças compreenderam que o corpo é um só, mas tem muitos membros. Diferentes, mas batizados num só Espírito, entenderam que a missão de proclamar o evangelho era de todos eles para todos aqueles que ainda não conheciam ao Senhor Jesus. Entendendo essa missão Antioquia foi peça-chave no cumprimento da ordem de alcançar todos os confins da terra.

Outra característica na vida de Barnabé que me chama atenção é sua capacidade de entender que não precisamos fazer nada sozinhos. Quando chegou a Antioquia viu que tinha muito trabalho e precisaria de ajuda. Mas quem ele procurou? Paulo de Tarso. Paulo era conhecido como o perseguidor da igreja, quando se converteu poucos acreditaram nele. Exceto Barnabé, que tomou pela mão e o levou até os apóstolos dando-lhe um voto de confiança (Atos 9,26-27). Depois Paulo ficou esquecido em Tarso, até Barnabé encontrá-lo novamente. Ele viu em Paulo não as coisas ruins do seu passado, mas entendeu que ele tinha as características necessárias para ajudá-lo em Antioquia: conhecia a cultura grega e judaica como ninguém e também tinha sido chamado por Deus para ser apóstolo dos gentios. Outra coisa maravilhosa nesse episódio da vida de Barnabé é sua habilidade em encorajar aqueles que foram chamados por Deus.

Um terceiro episódio na vida de Barnabé é sua discussão com Paulo por causa de João de Marcos (Atos 15, 36-39). Primeiro, graças a Deus que até esses grandes homens discutem, isso não é só competência nossa. Mas Barnabé mais uma vez exerce seu ministério de encorajador, consolador, resolvendo ficar ao lado de Marcos e abandonar Paulo. Paulo não queria viajar com Marcos porque este já tinha o abandonado uma vez em plena viagem missionária, e se tem uma coisa que Paulo não suporta é maria-mole. Entretanto, Barnabé fica com Marcos e por um período de dez anos não sabemos nada da vida dele. A próxima vez que encontramos Marcos é junto de Paulo, onde o apóstolo o chama de “cooperador” e “consolador” (Colossenses 4,10-11). No final de sua vida Paulo pede que Timóteo traga Marcos junto com ele, pois este era “muito útil para o ministério”. Deus através de Barnabé tornou Marcos um grande homem.

O que podemos aprender com Barnabé de útil para o nosso ministério? Primeiro, acredita em sua igreja, em seu potencial como presença do reino de Deus onde você estar. Segundo, acredite nas pessoas que estão ao seu lado, motiva-as, encoraja-as, ensine-as a desenvolverem seus dons e ministérios trabalhando para que todas se tornem ministros. Terceiro, tenha paciência com aqueles que fracassam, pois são muito úteis para o ministério.

09 agosto 2011

Para Que Todos Sejam Um


Quais as palavras de pessoas queridas que você guarda com carinho e que orientam sua vida? Certamente temos palavras de pessoas que marcam nossas vidas e em um momento, ou outro, nos pegamos pensando nelas.

Em João 17, Jesus está orando pelos seus discípulos. As palavras de Jesus marcaram profundamente os seus discípulos, e agora quando eles passavam por momentos de tribulação, dúvidas, abandono e perseguição, nada melhor do que lembrar que seu Mestre tinha orado por cada um deles. Eles poderiam se sentir seguros, pois Jesus estava com eles.

Mas a oração de Jesus não foi apenas por aqueles que estavam com ele naquele momento. Jesus ora por aqueles que irão crer nele no futuro. Olha que coisa maravilhosa, Jesus orou por mim e por você. E qual foi o pedido nessa oração? Isso mesmo: Para que todos sejam um. Jesus nos ensina que não precisamos viver sozinhos, isolados, longe de nossos irmãos, precisamos nos tornar um só. O modelo a ser seguido é o de Jesus com o Pai (Jo 10,30). Existe uma unidade tão intensa entre o Pai e o Filho que quem vê o rosto de um vê também o do outro.

Unidade não é uniformidade, mas sim permanecer no amor, apesar de todas as dificuldades e conflitos. O amor deve ser o sinal da presença de Deus no meio do seu povo. É o amor entre nós que vai revelar ao mundo à profunda mensagem de Jesus.

08 agosto 2011

Semear


Aprendi cedo o que é semear. Nasci realmente em um pé de serra, em pleno sertão nordestino. Lá vivi a minha infância, a espera das chuvas chegaram para poder arar a terra e assim vivermos do seu fruto. Semear nada mais era do que espalhar as sementes pelo campo em tempo propício. Semear era uma ação em três tempos: passado, presente e futuro. Era necessário antes preparar a terra para que as sementes fossem lançadas, e assim aguardarmos pacientemente pela nascimento do seu fruto. Não poderíamos semear se o tempo não fosse propício, mas quando as chuvas demoravam, mesmo assim semeávamos. Algo dentro de nós nos dizia que daria certo, que as chuvas voltariam a cair, e se elas não caíssem, certamente o culpado não seríamos nós, pois acreditávamos que elas viriam.

Quando descansávamos ao meio dia, os mais velhos falavam das histórias que eram contadas pelas redondezas, da maldade de alguns e como o caminho errado de outros proporcionaram a eles momentos de sofrimento. Então aprendi que semear não era somente no campo, mas também na vida. E na vida, mesmo nos mais singelos momentos, estamos semeando. Duramente, percebi que “quem semeia ventos, colhe tempestades”.

Então, quando cresci saí a semear, como aquele semeador dos evangelhos. Algumas das sementes simplesmente caíram do meu bisaco, fui descuidoso no falar, no agir, irresponsável no amar. Não julgo que as sementes que levava eram ruins, poderiam não ser exatamente boas, mas tinha algum valor. Eu poderia ter sido mais cuidadoso com elas. Percebi que muitas vezes semeamos em lugares inapropriados, e quando fazemos isso não adianta esperar frutos.

Mas, ainda não aprendi qual é o tempo apropriado. Ainda me sinto como aquela criança com o seu pequeno bisaco, no seu pé de serra, arando e semeando a terra, sem ver a possibilidade da chuva, mas acreditando que ela virá no tempo propício dela mesmo.

06 agosto 2011

Voar Juntos




“Quando as sessões de doce e silente pensamento

Recordo as lembranças das coisas passadas,

Suspiro pela falta de muitas coisas que busquei,

E com antigos ais, novos lamentos desperdiçam meu tempo.

Então posso volver um olhar, desacostumado,

Para amigos preciosos, ocultos na noite sem data da morte,

Chorando de novo a tristeza do amor cancelado,

Lamentando a expansão de muitas vistas parecidas:

Então posso entristecer-me ante tristezas passadas,

E de ai em ai, pesadamente, posso contar de novo

A narrativa triste de lamentos passados,

Que agora pago como se já não os tivesse pago.

Mas, quando me lembro de ti, caro amigo,

Todas as perdas são restauradas, todas as tristezas findam.

(William Shakespeare).


Nos meus primeiros anos no seminário a presença dos amigos foi fundamental para que eu resistisse firme esse período. Igualmente ao Shakespeare, eu tinha sessões de doce e silente pensamento, que findavam com um aperto no coração, que hoje posso claramente chamar de solidão.

Em uma das minhas viagens, quando fui visitar os meus familiares, comentei com uma amiga da solidão que eu sentia. O falar já era uma vitória para mim, acostumado a ouvir e nunca revelar os meus sentimentos. Lembro que ela pegou um guardanapo de papel e escreveu: “tenho medo do que é novo. Tenho medo de viver o que não entendo. Quero sempre pelo menos pensar que entendo. Não sei me entregar à desorientação” (Clarice Lispector). Naquele momento sabia que ela não falava dela. O medroso da história era eu. Estranhamente tive um pouco da minha auto-estima restaurada naquele instante. A presença dela, da caneta e do guardanapo eram sinais que eu não conseguiria escrever a minha própria história se não aprendesse a dividi-la com outro.

Voltando ao seminário, meses depois recebi uma correspondência inesquecível. As crianças da igreja que eu congregava escreveram diversas cartinhas, com coisas simples, mas que me fortaleceram para a caminhada. Diziam coisas do tipo: “estaremos esperando você voltar”, “eu estou orando por você tio, volta logo”, “nós te amamos”, “quando minha mãe deixar eu também quero ir pro seminário”. Lamento por não ter conseguido responder a todas.

Nessa semana, quando li a carta de Paulo aos Filipenses uma frase me chamou atenção: “Na minha vida em união com o Senhor, fiquei muito alegre porque vocês mostraram de novo o cuidado que têm por mim”(4,10). Nessa carta Paulo lembra que aprendeu a conviver com as dificuldades, em suas palavras: “estar satisfeito com o que tem”. Uma alegria tomava conta dele, mesmo que estivesse passando fome, frio ou em perigo de morte. Todas essas coisas já não mais chamavam a atenção de Paulo, o que o deixava feliz eram a disposição daquela comunidade em ajudá-lo. Daí nasce uma das belas definições de amizade que conheço: “vocês foram os únicos a participarem dos meus lucros e dos meus prejuízos” (4,15).

Participar leva-nos ao sentido mais profundo da amizade. É estar presente, mesmo que pareça ausente, caminhar na mesma direção, mesmo que os caminhos nos pareçam levar a destinos diferentes. Lembro que ouvi a história de um casal que pertencia a uma tribo indígena e foram pedir permissão ao pajé para se casarem. O pajé então disse que daria a permissão se os dois encontrassem as maiores aves da região e os trouxessem para ele. Eles fizeram como pajé pediu, e perguntaram: deseja que os matemos para ficarmos com a sua força? O pajé respondeu: “não é preciso, amarre uma a outra e as soltem”! Fizeram dessa maneira, e quando as soltaram, cada ave quis voar para um lado e não conseguiram sair do lugar. Então o pajé pediu que as desramassem e novamente as soltassem. Feito isso as aves voaram em direção a montanha, e o pajé concluiu: “nunca se sintam amarrados um ao outro, pois assim vocês não conseguirão sair do lugar, mas aprendam a voarem juntos na mesma direção”.

Acho que precisamos entender esse sentido da amizade em todos os nossos relacionamentos: voar junto na mesma direção faz bem a saúde. Paulo e os filipenses entendiam isso, por isso a ligação entre eles eram muito forte. Aprendi que em alguns momentos desfrutarei da solidão, mas sempre reconheço que o caminho que segui, muitos outros seguiram, é por isso que não desanimo. Tenho amigos e amigas que sempre posso contar. Ainda há uma corrida para correr, uma fé para ser conservada, e um prêmio a todos aqueles que esperam com amor a vinda de um reino de justiça, em Jesus.

Quando as tristezas chegam me lembro de ti, caro amigo, todas as perdas são restauradas, todas as tristezas findam”.






09 julho 2011

Tão Parecida Com o Seu Pai


Parecia mais um culto, uma dessas celebrações demorosas e enfadonhas. Pensei comigo: hoje é dia de batismo, o pastor vai falar horas e horas, acabarei saindo tarde daqui, não dará tempo nem conversar em nossa calçada. Lá era onde fazíamos a extensão do culto.

Sentei-me na sexta fileira de bancos. Escolhi ficar perto do corredor, sempre ficava ali quando sabia que passaria gente importante. Tem gente que só quer fica no corredor quando tem casamento, ou não consegue parar quieto. Eu não! Sempre reservei o corredor para poder olhar nos olhos de quem passava, e assim permitir que olhasse nos meus e soubesse que eu estava ali, ao seu dispor.

A celebração continuava enfadonha como sempre, seguindo os incansáveis ritos. Às vezes me perguntava a Deus será que ele realmente ouvia todos esses cultos iguais ao redor do mundo, ou ele tirava umas férias no domingo? Se não, Ele certamente merecia. E ainda tem gente que passa anos estudando para enfim fazer as mesmas coisas que sempre foram feitas.

Mas, finalmente chegou o grande momento. E ele não foi igual aos outros. Na frente encontrava-se um pai, vestido de pai realmente e com cara de pai. O seu aspecto sério tinha sido substituído pela serenidade de um homem cujo seu dever estava sendo cumprido. O orgulho saltava dos seus olhos. Olhos que começaram a refletir, como em um espelho, a presença de alguém que caminhava em sua direção. Era a sua filha! Caminhava por aquele corredor em direção a ele.

E talvez ele pensasse que anos atrás ela corria por aqueles corredores e bancos, sem nenhuma intenção, apenas porque era livre como qualquer outra criança. E em suas quedas, quantas vezes ele a tinha colocado nos braços, afagado com seu amor, e sarado aquelas dores. Talvez também pensasse quanto outros corredores ela teria que passar de agora em diante, tantas outras quedas e dores, mas agora com a capacidade de se reerguer sozinha e continuar. Mas, ele ainda estaria ali, a sua presença ainda traria segurança.

Então ela passou ao meu lado. Usava um vestido rosa, com uma fita de setim, que fazia um laço na cintura. Olhando para aquele que estava a sua frente, tão pai, tão amigo, ela cantou uma linda canção que dizia: “quero ser como criança, te amar pelo que és, voltar a inocência e acreditar em ti”. Olhando para ela, fechei os meus olhos para poder vê-la com o meu coração. E nunca esqueci a beleza inconfundível que ela trazia consigo. Então ele a abraçou, com um abraço de um pai, e ela o amou mais ainda.

Depois disso, tudo voltou ao seu normal, o ritual, o culto, a celebração. Dizem que essa menina cresceu e hoje é uma mulher, tão parecida com o seu pai e tão parecida com ela mesma. Ainda dizem que algumas vezes ela sofreu e dores tomaram conta dela. Aí ela fecha os seus olhos e começa a ver com o coração. Um criança com o seus sonhos se realizando, e que ainda consigo escutar a sua voz cantando: “quero ser como criança, te amar pelo que és, voltar a inocência e acreditar em ti”.


(Era assim que eu me recordava do batismo e profissão de fé da Sheila Luna. Mas ela já explicou que algumas coisas foram diferentes. O tempo nos faz esquecer alguns detalhes).

16 maio 2011

Tua Graça me Basta


De todas as decisões a serem tomadas, escolher pela mais fácil. De toda a fama que desejo, escolher a escada que tem menos degraus. As incertezas transformadas em certezas, as pedras retiradas do caminho, enfim uma caminhada sem muitas dificuldades. Talvez, seja esse o sentimento daquele primeiro discípulo que se propôs a seguir Jesus pelo caminho. Encantado pela facilidade com que Jesus atraía as pessoas e transformava impossibilidades em possibilidades reais.

A resposta de Jesus trouxe à tona a realidade. A decisão do discípulo o levaria a um caminho de dificuldades. As pedras ainda estariam lá, e em alguns momentos se faria necessário usá-las como travesseiro para recostar a cabeça ao relento. De todas as alegrias prometidas, apenas ficariam a certeza de seu cumprimento. As lágrimas rolariam, o medo buscaria nos dominar, a dor apertaria, mas... “tende bom ânimo”, eu venci tudo isso (João 16:33).

Na caminhada aprender a enterrar os nossos mortos, viver o seu luto e reerguer-se para continuar. Abandonar todas as mágoas e frustrações da vida. Não viver as expectativas que os outros têm sobre mim, jamais sonhar o sonho alheio. No anseio de agradar ao mundo, nos machucaremos, será sempre uma relação desigual e injusta. Nessa caminhada é necessário aprender a frustrar as expectativas que colocam sobre nós, e definitivamente perguntar-se qual a expectativa que Deus tem sobre mim?

Porque enfim começamos um trabalho, colocamos a mão no arado, limpamos o mato que tomou conta do campo, jogamos as primeiras sementes, e com o tempo as raízes se fixarão naquela terra, e virá a superfície o fruto do penoso trabalho. Olhar para trás nos impedirá de contemplar o futuro. Resta-nos a possibilidade de continuar a caminhar, passando pelo choro, pelos sonhos, erguendo a cabeça, vivendo, amando e sentindo os corações arderem, com uma presença tão divina e tão humana, que nos fará balbuciar: “a tua graça me basta”.

(Escrito baseado em Lucas9,57-62; Reflexão para amigos(as) especiais em seus momentos especiais)

O QUE HÁ - Fernando Pessoa

Quando não consigo expressar em palavras os meus momentos, cato as poesias que encontro no chão, de momentos vividos por outros, tão distantes e tão perto. Abaixo o poema:

O QUE HÁ” de Álvaro de Campos, Heterônimo de Fernando Pessoa

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço…

26 janeiro 2011

O Encontro de Jesus com um Leproso (Marcos 1,40-45)


Um leproso em Jerusalém pede para ser limpo por Jesus. Estranhamente, apesar de sua doença ele não deseja ser curado. Ele é o protótipo da marginalização imposta pela lei judaica. Essa lei não permitia que um leproso vivesse na cidade, nem ao menos dirigisse a palavra aos sãos. Era considerado uma pessoa impura, e o responsável por legitimar sua impureza era o sacerdote.

Por isso, ele se aproxima de Jesus. O reconhece como sacerdote, como o mestre que tem curado muita gente. Mas, a sua questão não é apenas ser curado, mais do que ser curado, ele deseja ser declarado limpo. Porque sendo limpo, ele voltará a ser gente, sendo gente poderá conviver com outros(as): Andar sem que ninguém o olhe com desdém, perguntar algo a outra pessoa e ter resposta a sua pergunta, pedir a ajuda e ser ajudado, sorri e ser retribuído com outro sorriso.

Jesus, não preso as convenções da lei, acolhe aquele homem. Feri o princípio da lei que não permitia a conversa com um leproso. O declara limpo, mas era necessário algo mais. Era necessário o toque, o apalpar, o calor humano, que prova que existo e o outro também. Com um toque Jesus rompe todas as barreiras impostas pela lei, cria um novo ambiente de renovação de idéias que antes serviam apenas para confirmar a injustiça e a morte. Coloca novamente como centro da existência a vida, pois é ela que merece ser respeitada e colocada acima de qualquer coisa.

O homem agora limpo recebe um pedido de Jesus: “não conte a ninguém”. Mas a alegria de ter a sua dignidade reestabelecida, de novamente ser gente, contado como uma pessoa, é grande demais para ser guardada em segredo. Precisa ser divulgada, como boa nova de salvação, de uma salvação que vai muito além das palavras. É indescritível, mas vivencial, complexo, mas imbuído da simplicidade e singeleza.

07 janeiro 2011

Quero Trazer A Memória O Que Me Dá Esperança


Há um lamento no ar. As cinzas correm pelo chão levadas pelo vento. As casas, antes cheias da alegria, abrigam agora somente o silêncio. Um silêncio rompido apenas pelo choro. Na verdade é o choro que tem sido rompido pela quietude angustiante. As lágrimas não param de correr nos olhos daqueles que restaram em sua terra. Procura-se um amigo, dos tantos que existiram nos tempos de glória, agora todos desapareceram. Não há um ombro para recostar a cabeça. Não há um ouvido para se ouvir o lamento. Perderam a honra e a dignidade.

Na praça troca-se o que tem de mais valor por alguns alimentos. Na triste idéia de continuar vivendo, não mais se percebe que estão apenas morrendo. Os assassinatos se espalham pelas vielas, dentro de suas casas a morte faz sua morada. Os filhos olham para suas mães e clamam por comida e bebida, estão com sede e fome, assim caem pelas ruas, morrem em seus braços. Por isso, não há mais paz, a felicidade abraçou o esquecimento e gerou a tristeza, a amargura, a solidão e o sofrimento.

Mas, esperem, há algo a ser lembrado, relembrado e revivido. Quando eles pensam nisso a esperança volta aos seus corações. Como um hino cantado por um coro celestial, há um desejo de se trazer a memória o que dá esperança. Lembrar que o amor de Deus não se acaba, mesmo diante da barbárie. Relembrar que sua bondade é estranhamente eterna. Reviver a certeza que a cada nascer do sol, a vida insistirá em existir.

(Baseado na Leitura do Livro Bíblico de Lamentações)