A certidão de nascimento é o primeiro e mais básico documento na vida de um brasileiro, fundamental para o acesso a serviços de saúde, educação, moradia e demais direitos. Ela representa, mais do que um papel, o reconhecimento oficial do Estado sobre a existência de uma pessoa. Sem ela, a criança torna-se invisível perante o poder público, impedida de acessar políticas básicas e de exercer sua cidadania plena. Embora o registro civil seja gratuito e possa ser realizado em qualquer cartório do país, o Brasil ainda convivia, em 2015, com cerca de 600 mil crianças que não “existiam” oficialmente por falta de registro ao nascer. Esse contingente silencioso revela uma das faces mais perversas da desigualdade social: o sub-registro atinge desproporcionalmente populações vulneráveis, indígenas, quilombolas, ribeirinhos e famílias de baixa renda, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Em Fortaleza, a realidade não era diferente. Levantamentos realizados à época apontavam que apr...
Advocacy | Analista de Projetos | Ativista de Direitos Humanos | Educador Social I