Na semana passada, em um diálogo com a cientista social potiguar Aizianne Leite, ela chamou minha atenção para o fato de que 'as mulheres estão sendo atacadas não só pelo que conquistaram, mas também pelo medo da perda de privilégios por parte de alguns homens'. Segundo suas palavras, as mulheres são a oposição mais estruturada neste momento da história e, por isso, a extrema direita e outros grupos, às vezes com alcunha de progressistas, querem dividi-las. Nosso diálogo aconteceu no contexto da saída da ministra da Saúde Nísia Trindade do governo Lula, que se tornou a terceira mulher demitida nesses dois últimos anos. O terceiro governo Lula tem sido marcado por dificuldades de articulação política com o Congresso e outros setores da sociedade. As transformações ocorridas desde o golpe de 2016 ampliaram o poder de deputados e senadores, resultando em uma influência crescente sobre o orçamento público, sem as responsabilidades correspondentes que recaem sobre o Executivo. O...
Esperei uma semana para escrever este texto, pois em momentos de luto, a única coisa que podemos fazer é oferecer nossa solidariedade aos familiares e amigos, acolhendo a dor e a revolta daqueles que se indignam com a falta de segurança em nosso cotidiano. Há uma semana, a jovem Natany Alves, de Quixeramobim, no Ceará, foi brutalmente assassinada por três homens que a sequestraram enquanto ela estava em seu carro, próximo à sua igreja. Na mesma semana, a mais de 2 mil quilômetros de distância, bandidos tentaram invadir uma delegacia no Rio de Janeiro para resgatar um conhecido traficante. Atualmente, a capital fluminense e a região da Baixada são controladas por diversos grupos armados, que envolvem facções, milícias e outros modelos de organizações criminosas. O sociólogo José Cláudio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRRJ), faz uma afirmação contundente: “No Rio de Janeiro, a milícia não é um poder paralelo. É o estado”. Talvez você me questione qual é a relação ...